Dono do Belmonte assume Amarelinho e promete reabrir bar tradicional da Cinelândia em setembro, após obras

·4 minuto de leitura

Um dos ícones da cultura e da boemia carioca, o tradicional bar Amarelinho, na Cinelândia, que como outros estabelecimentos do ramo sofreu os efeitos da pandemia e está fechado desde março, vai reabrir em setembro, após passar por obras. Agora sob nova direção. O bar, também conhecido por ser palco de acalorados debates políticos, acaba de ser assumido pelo empresário Antonio Rodrigues, dono da rede Belmonte, conforme noticiou o blog do jornalista Ancelmo Gois, de O GLOBO.

— As pessoas que conhecem a história do Rio sabem a importância do Amarelinho e do Nova Capela para vida cultural e boêmia da cidade. São lugares que não podem acabar nunca — defende o empresário, lembrando de outro bar tradicional, este na Rua Mem de Sá, na Lapa, que corria risco de fechar e foi adquirido por ele em 2019.

O Amarelinho chegou a ficar fechado por oito meses no ano passado, por conta das medidas de restrição impostas pela pandemia do novo coronavírus. O bar foi reaberto em dezembro e em março fechou as portas novamente. Na ocasião, os antigos donos alegavam que tinham uma despesa de R$ 300 mil para manter o estabelecimento funcionando, com a baixa clientela, embora assegurassem que o fechamento era temporário.

Antonio contou que foi procurado por funcionários que temiam o fechamento definitivo do Amarelinho, já que o antigo dono José Lorenzo Lemos, estava muito idoso — ele tem 92 anos — e os filhos não tinham interesse em tocar o negócio. Ele contou que alugou o espaço por R$ 30 mil mensais. O negócio foi fechado no sábado.

O dia da reabertua ainda não está definido, mas Rodrigues não descarta a possibilidade de fazê-lo em 7 de setembro, por ser feriado nacional e uma data simbólica. Antes, porém, o estabelecimento vai passar por obras.

A cozinha será reformada, o balcão vai ser trocado, assim como algumas pedras portuguesas da parte onde ficam as mesas extersas. O novo dono garante que não é nada que vá tirar a essência do local. O nome será mantido.Também não pretende fazer mudanças significativas no cardápio e garante que o chope será da melhor qualidade.

— A característica do Amarelinho são as luminárias retrô que vão continuar lá, assim como o quadro do (ex-governador Leonel) Brizola que vai seguir na parede. Vamos resgatar o Centro, começando pelo Amarelinho — disse.

Fundado em 2021, o centenário bar é testemunha da vida boêmia na Cinelândia desde a primeira metade do século passado, tendo abrigado em suas meses figuras célebres como Oscar Niemeyer, Mário de Andrade, Joel Silveira e Vinicius de Moraes, além de políticos. Entre travessas de feijoada e cozido, porções de frango à passarinho e muito chope, o endereço foi palco para episódios importantes da cultura e da política no país.

Tendo a Cinelândia como palco das manifestações políticas, tudo convergia para as mesas do Amarelinho, testemunhas de acalorados debates. Antonio Rodrigues lembra que os protestos que pediam o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello começaram por ali. E na noite de sua aprovação, em dezembro de 1992, o bar chegou a vender 270 barris de chope.

— Na época, eu tinha o Carlitos, na Rua Álvaro Alvim, perto do Teatro Rival, e vendi 30 barris para de chope e mais de cem litros de batidas de gengiibre. Tudo convergia para a Cinelândia e acabava nas mesas do Amarelinho — relembra.

Rodrigues lembra ainda que a Brizolândia, o quartel-general dos apoiadores do ex-governador pedetista, Leonel Brizela, ficava entre o Amarelinmho e a Câmara de Vereadores. E, por conta disso, quase sempre as discussões políticas iniciadas do lado de fora acabam numa mesa do vizinho bar.

— Muitas encrencas do PDT com o PT foram ali no bar. Brizola recebia seus correligionários numa mesa do Amarelinho, e o ponto passou a ser chamado de brizolândia. O lugar sempre foi frequentado por presidentes e senadores. Quero fazer uma inauguração bonita, chamando todos os políticos da esquerda que estiverem vivos —planeja Rodrigues.

O novo dono do Amarelinho é um cearense de 52 anos que chegou ao Rio de Janeiro em 1984, aos 16. A passagem de vinda foi custeada pela venda de uma ovelha que ele tinha ganhado de um tio. Por aqui, começou lavando pratos e fazendo faxina numa churrascaria em Copacabana, na Zona Sul. Depois, foi trabalhar como garçom no bar Carlitos, na Rua Álvaro Alvim, e, se valendo de umas economias, acabou comprando o estabelecimento que estava falido. Hoje, possui 19 bares, nove da rede Belmonte, além de outros três em Portugal e um em São Paulo.

— Devo muito a essa cidade. Ela me deu muito e continua dando. Cheguei no Rio do Ceará em 1984, aos 16 anos, e fui morar num quarto com outros sete caras. E olha tudo que conquistei aqui. O Amarelinho faz parte da história do país — afirmou.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos