Dono de buldogue que morreu afogado em Copacabana admitiu à polícia que o levou ao mar mesmo após resistência

Arthur Leal
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O advogado Zali Grillo Neiva, de 45 anos, que foi autuado em flagrante nesta quinta-feira, dia 18, por maus-tratos aos animais, após ter sido acusado de deixar seu cãozinho, um buldogue francês, morrer afogado na Praia de Copacabana, admitiu em depoimento à polícia, que entrou no mar com o cachorro, mesmo contra a sua vontade, e que havia tomado meia garrafa de vinho antes da tragédia.

O caso aconteceu no fim da tarde desta quinta-feira, na altura Posto 6. Banhistas que presenciaram a morte do cachorro rapidamente chamaram guardas municipais, que abordaram o advogado e uma mulher que o acompanhava. Eles foram levados à 12ª DP (Copacabana), onde foram ouvidos e o homem acabou preso.

Em depoimento, o advogado, que é morador de Copacabana, admitiu que levou o cachorro para a água e que ele resistiu, "como em outras vezes", mas que continuou porque no final ele acabava gostando. Ele disse que, durante o tempo em que estava no mar com o buldogue, ele o puxava para cima pela coreira por conta das ondas, e, quando percebeu que o cão não estava bem, voltou para a areia e tentou reanimá-lo. Uma das acusações feitas por testemunhas era de que Zali estaria bêbado. Questionado pela polícia, ele disse ter bebido meia garrafa de vinho naquela tarde.

A Lei 9605/98, de maus-tratos aos animais, prevê detenção de três meses a um ano e multa. No entanto, em caso de tratar-se de cão ou gato, a pena sobe para dois a cinco anos e multa. Em caso de morte do animal, como ocorreu nesta quinta-feira, a lei prevê que a pena seja aumentada de um sexto a um terço.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Zali Grillo Neiva.

De acordo com o presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara do Rio, o vereador Luiz Ramos Filho (PMN), as denúncias de maus-tratos vêm aumentando muito. Em janeiro, foram 153 chamados pelas redes sociais e telefone da comissão, contra 47 no mesmo período do ano passado. Para o parlamentar, a punição para este tipo de crime deveria ser mais pesada.

— São situações muito revoltantes. Não sei se as pessoas estão mais cruéis ou se tem mais gente denunciando. Mas isso só vai acabar com punição severa — disse Ramos Filho.

O vereador afirmou que vai acompanhar tanto o caso do buldogue, quanto o de outro cãozinho, que conseguiu ser salvo quando era afogada por uma mulher no Recreio dos Bandeirantes, também nesta quinta.

— Vamos cobrar que a lei seja cumprida. As pessoas precisam saber que maltratar animal dá cadeia! E aí vão pensar duas vezes antes de fazer mal a um ser que não pode pedir socorro , não pode se defender. Covardia — acrescentou.

Também nesta quinta-feira, um outro caso quase acabou em tragédia. Era por volta de meio-dia quando policiais do programa Recreio Presente foram acionados e conseguiram prender, na Praia da Macumba, no Recreio dos Bandeirantes, uma mulher, de aproximadamente 30 anos, que tentava afogar um cãozinho no mar.

De acordo com os agentes, um banhista que estava na praia percebeu a ação e chamou os policiais, que prontamente foram até o mar e o resgataram. A mulher foi presa em flagrante por maus-tratos e foi levada à 16ª DP (Barra da Tijuca). Na delegacia, aconteceu a parte mais legal da história: uma policial civil se sensibilizou com o ocorrido e adotou o filhote, que foi batizado de Matias. O cachorrinho já ganhou foto profissional e tudo.