Dono da Quatro por Quatro recebe voz de prisão durante CPI dos Incêndios por falso testemunho

Cecília Vasconcelos
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CPI apura incêndio na Quatro por Quatro

RIO - O dono da wiskeria Quatro por Quatro, que pegou fogo em outubro deste ano, recebeu voz de prisão pelos deputados estaduais Alexandre Knoploch e Rodrigo Amorim, ambos do PSL, na tarde desta sexta-feira. A prisão aconteceu durante audìencia da CPI dos Incêndios na Alerj, instaurada em novembro deste ano, para apurar as últimas ocorrências. O empresário Carlos Marinho foi acusado de falso testemunho, de acordo com o deputado Rodrigo Amorim.Alexandre Knoploch e Rodrigo Amorim são presidente e vice-presidente da CPI, respectivamente.

O tema da audiência era a apuração do incêndio da wiskeria, que vitimou 4 bombeiros. Além dos donos da boate, estiveram presentes na Alerj representantes do CREA, Ministério Público, Defensoria Pública, Polícia Civil, e do Corpo de Bombeiros.

O deputado Rodrigo Amorim disse que o advogado de Carlos informou que o seu cliente recebeu um suposto telefonema da Alerj às 7h da manhã desta sexta-feira, cancelando a audiência de hoje. Amorim negou. Posteriormente, o advogado disse que Carlos Marinho estava em um hospital na Barra da Tijuca por ter se sentido mal. Duvidando dos motivos do nnão compareciemento do sócio da wiskeria, os deputados deliberaram a condução coercitiva de Carlos Marinho, que chegou momentos depois do pedido na Assembleia Legislativa.

Segundo o deputado Rodrigo Amorim, Marinho começou a se contradizer no depoimento em relação a certificações que os bombeiros emitem para casas como a Quatro por Quatro e, em uma das declarações, Amorim entendeu que houve divergência entre as informações e deu voz de prisão.

— Foi alertado pelo presidente da comissão, Alexandre Knoploch, que Carlos não poderia faltar com a verdade. Ele mentiu várias vezes, inclusive quando disse que não fazia hospedaria na boate, não explorava o local além do primeiro pavimento, o que o alvará dele não permitia, mentiu também quanto a questão da atividade fim, entre outras declarações, explicou.

Rodrigo Amorim informou ainda que ficou claro para a Casa que o estabelecimento funcionava irregularmente, sem a documentação necessária.

— Foi um conjunto de manobras para tentar obstruir o trabalho da Comissão, faltando com a verdade, deixando claro que ainda há muito o que ser desvendado, esclareceu.

Com a voz de prisão a CPI foi encerrada depois de quatro horas e meia de depoimentos.

— As audiências continuarão para apurar não só a causa do incêndio, mas tudo o que envolve o ocorrido na Quatro por Quatro, concluiu.

Carlos Marinho foi foi levado à 5ª Delegacia de Polícia e liberado após assinar um termo se comprometendo a retificar depoimento à CPI

Contradição

Durante a audiência, o proprietário da Whiskeria afirmou que utilizava os quatro pavimentos do estabelecimento como danceteria, e admitiu que 16 quartos eram utilizados por massagistas autônomas, e ainda por garotas contratadas por frequentadores para realizarem programas.

Carlos chegou a dizer que não cobrava pelos quartos, mas depois afirmou que havia cobrança. O subchefe operacional do corpo de bombeiros, coronel Sarmento, afirmou que local chegou a ser interditado em 2013 por critérios de perigo iminente.

— O local não tinha certificado de registro desde 2010 e tinha um alvará que dava autorização para boate funcionar em apenas um pavimento, informou.

Segundo o coronel, no dia da ocorrência os bombeiros envolvidos no combate às chamas estavam com máscaras com boas condições de uso.