Dono da Rede Hortifruti avalia venda de empresa e até abertura de capital na Bolsa

Bruno Rosa
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Guito Moreto / Agência O Globo
Guito Moreto / Agência O Globo

RIO - A rede Hortifruti, uma das mais conhecidas do Rio, pode mudar de mãos no próximo ano. De acordo com fontes, a gestora suíça Partners Group, que detém 100% das ações da empresa, já iniciou sua estratégia para buscar novos sócios.

Uma fonte ligada ao projeto destaca que o fundo pode vender todas as suas ações ou parte do capital que detém hoje na empresa conhecida por vender legumes e verduras, que fatura cerca de R$ 2 bilhões por ano e tem sete mil funcionários. Uma abertura de capital na B3, a Bolsa de Valores, também não está descartada.

A rede Hortifrutri se fundiu em 2015 com a Natural da Terra, empresa que também vende legumes e verduras com forte atuação em São Paulo. Atualmente, das 64 lojas, 48 estão no Rio de Janeiro, além de 13 em São Paulo. As outras estão em Minas Gerais e Espírito Santo. Para analistas de varejo, os pontos de venda tendem a gerar interesse de concorrentes.

Em nota, a empresa disse que "está em constante avaliação de oportunidades de mercado e negócios". Destacou ainda que analisa diversos tipos de operações que permitam captar recursos necessários para continuar sua trajetória de crescimento. "Isso inclui a possibilidade de um IPO, porém, não há, no momento, nenhuma agenda de curto prazo neste sentido", ressaltou a empresa.

Segundo uma outra fonte, o fundo suíço pretende abrir um processo de venda para testar "o apetite do mercado". O assessor financeiro ainda não foi escolhido. A primeira fase será chamada de não vinculante, quando vai receber propostas de potenciais interessados. E, depois, se for bem sucedida, vai iniciar conversas exclusivas. Essa mesma fonte destacou que pode ser feita uma operação conjunta no mercado de capitais.

Essa mesma fonte destacou que um dos processos mais complexos é acomodar o interesse dos bancos credores e manter a taxa de retorno atrativa para a gestora suíça, que está presente em 20 países e com quase US$ 100 bilhões de ativos em gestão. A empresa não divulga o volume de suas dívidas.

O consultor de varejo, Antonio Fernandes, destacou que as margens do setor são baixas. Isso porque, diz ele, a venda de legumes e verduras, principal fonte de receita do grupo, exige custos altos e tem um ciclo de vida muito curto.

- Empresas desse segmento vêm enfrentando dificuldade maior nesse momento, pois os custos estão maiores e a renda do consumidor está mais apertada - disse Fernandes.

A rede vem nos últimos anos apostando em uma série de mudanças para aumentar sua lucratividade. A primeira foi ampliar a oferta de produtos nas lojas, desde carnes e peixes a bebidas em geral e laticínios. Neste ano, a companhia passou a criar modelos de lojas que funcionam apenas como pontos de distribuição, com foco no delivery.

- A empresa passou a vender até flores e produtos com preços maiores, como queijos importados e itens de delicatéssen, mas o principal ativo da rede são os pontos de venda no Rio. A empresa está em locais nobres e cobiçados pela concorrência - afirma Fernandes.

A Hortifruti Natural da Terra conta com uma frota com mais de 230 veículos que transporta 16 mil toneladas de frutas, legumes e verduras todos os meses.