Dono das marcas Farm e Animale, Grupo Soma leva a Hering por R$ 5,32 bi

Glauce Cavalcanti
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RIO - O Grupo Soma, dono de marcas como Farm e Animale, está colocando a Cia. Hering sob seu chapéu. O acordo foi anunciado dez dias após a empresa catarinense ter recusado uma oferta de R$ 3,2 bilhões feita pela Arezzo. Agora, dá as mãos ao Soma em um acordo avaliado em aproximadamente R$ 5,32 bilhões, ou um ágio de mais de 43% sobre o preço de fechamento das ações da malharia na última sexta-feira.

A transação prevê a criação de uma subsidiária pelo Soma, a NewCo, que será usada para a transação de ações entre as duas companhias. Os acionistas da Hering vão receber uma ação ordinária (ON) uma ação preferencial (PN) da nova empresa por cada papel que detêm atualmente.

O acordo, que depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade), tem uma cláusula de exclusividade. Em caso de rompimento, prevê aplicação de multa no valor de R$ 250 milhões.

Segundo o comunicado ao mercado, o acordo mira em impulsionar as marcas das duas empresas com base nas especialidades de cada grupo. De largada, constrói uma companhia de varejo de moda com um mercado bem maior, com opções de grifes e produtos que vão do básico ao luxo. Esse movimento pavimenta ainda o caminho para a expansão, considerando a complementariedade de portfólios.

Sinergias operacionais também irão ajudar a fazer receita e margem avançarem, com ganho de eficiência em despesas e em investimentos. A ideia é ganhar escala fortalecendo a cadeia de fornecedores, com maior capacitação industrial para produção verticalizada de algumas linhas de produtos e marcas atuais do Soma, experiência em franquias, canais digitais e pesquisa e desenvolvimento de produtos.

O Soma abriu capital em Bolsa em julho de 2020, tendo levantado R$ 1,8 bilhão com a operação. Em outubro anunciou a compra da NV, de moda feminina e com canal de vendas digitais, por R$ 210 milhões. Na ocasião, Roberto Jatahy, à frente do grupo, avisou que aquela era apenas a primeira de uma série de aquisições nos planos da companhia.

A Hering, que trabalha fortemente nos últimos anos na reestruturação do negócio, chegou ao fim de 2020 colhendo frutos do foco em revisão da marca, do portfólio de produtos e, principalmente do investimento em venda multinacanais. No último trimestre do ano, a Hering registrou crescimento de 230,6% no faturamento de seu e-commerce na comparação com outubro a dezembro de 2019. Ao todo, a receita digital avançou 91% em 2020.

Avançou também no varejo físico, inaugurando 130 lojas — incluindo cinco megafiliais. No total, chegou a 778, sendo 20 no exterior. O lucro avançou quase 60%, para R$ 343 milhões sobre 2019.