Dono do Phoenix Suns é suspenso da NBA por racismo e misoginia

Robert Sarver, proprietário da franquia dos Phoenix Suns, também terá de pagar 10 milhões de dólares de multa.
Robert Sarver, proprietário da franquia dos Phoenix Suns, também terá de pagar 10 milhões de dólares de multa. Foto: (Harry How/Getty Images)

Acusado de comentários racistas e misóginos, o proprietário da franquia da NBA Phoenix Suns, Robert Sarver, que também controla o Phoenix Mercury, que disputa a WNBA, foi punido pela NBA com suspensão de um ano e o pagamento de uma multa no valor de 10 milhões de dólares, cerca de R$ 51 milhões na cotação atual, valor máximo que a liga de basquete dos Estados Unidos pode multar alguém.

A decisão se dá após a liga investigar as denúncias de mais de 70 funcionários, entre atuais e que passaram pelas equipes, que acusaram Sarver de inúmeros crimes, incluindo o uso de linguagem racista e conversas de cunho sexual em seus escritórios, além de intromissão nas decisões de quadra.

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A investigação se iniciou após uma reportagem do jornalista Baxter Holmes, da ESPN norte-americana, publicar relatos que provariam que Sarver promoveu um "local de trabalho tóxico e, por vezes, hostil" durante seu mandato de 17 anos. O ex-treinador Earl Watson relatou uma ocasião em que Robert Sarver usou a "palavra com N" inúmeras vezes perguntando as razões para que jogadores negros como Draymond Green poderiam usá-la e ele, homem branco, não. O dono da franquia nega o incidente citado por Watson e ter usado a palavra em outros momentos, o que é refutado por antigos e atuais funcionários.

Um ex-executivo dos Suns citou uma reunião em que Sarver havia distribuído uma foto de sua esposa vestindo um biquíni dos Suns. O proprietário confirma a história, mas justifica que seria para mostrar aos responsáveis pelo merchandising como o biquíni era. Outros funcionários o acusam, também, de usar linguagem sexual inadequada e discutir sua vida sexual durante as reuniões, até mesmo mencionando o tamanho dos preservativos que ele usa. Sarver, em outra oportunidade, teria supostamente tentado demitir uma funcionária durante a temporada 2008-2009 porque ela estava amamentando e precisaria ficar em casa com seu recém-nascido. Ele nega.

A NBA, através de Adam Silver, comissário da liga desde o ano de 2014, se pronunciou oficialmente: "As declarações e conduta descritas nas conclusões da investigação independente são preocupantes e decepcionantes. Acreditamos que o resultado é o certo, levando em consideração todos os fatos, circunstâncias e contexto trazidos à luz por a investigação abrangente deste período de 18 anos e nosso compromisso de manter os padrões adequados nos locais de trabalho da NBA. Espero que a comunidade da NBA aproveite esta oportunidade para refletir sobre o que este grande jogo significa para as pessoas em todos os lugares e os valores de igualdade, respeito e inclusão que ele se esforça para representar. Independentemente da posição, poder ou intenção, nós todos precisam reconhecer o impacto corrosivo e prejudicial de linguagem e comportamento racialmente insensível e humilhante. Devemos fazer melhor".

Robert não poderá frequentar nenhum evento da NBA ou da WNBA, além de escritórios e instalações esportivas. O mandatário também está proibido de representar os Suns ou o Mercury em negócios ou operações de basquete. O exorbitante valor da multa será distribuído para entidades que tratam os temas desrespeitados por ele.