Dono de empresa acusada de produzir pesquisas falsas é preso em Goiânia

Pedro Capetti
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RIO - Agentes da Polícia Civil de Goiás prenderam neste sábado o empresário Márcio Rogério Pereira Gomes, proprietário da empresa Ipop Cidades & Negócios, investigado pela suspeita de produzir e divulgar pesquisas eleitorais fraudulentas no estado de Goiás. Além de produção de levantamentos falsos, ele é acusado falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

A prisão foi efetuada após a Justiça aceitar, na última sexta, a denúncia feita pelo Ministério Público de Goiás contra Gomes por fatos envolvendo as eleições deste ano. Além dele, dois familiares, dois funcionários e os prefeitos de Alvorada do Norte, Buritinópolis, Damianópolis e Mambaí também viraram réus. Se condenados, eles podem ter o mandato cassado.

Segundo a investigação, Gomes produzia levantamentos eleitorais fraudulentos para candidatos a cargos políticos em diversos municípios de Goiás. A negociação envolvia o pagamento de levantamento na qual o denunciado sedestacaria na intenção de votos sobre seus adversáriospolíticos.

Com os resultados manipulados, as pesquisas eram divulgadas por meio do jornal que ele mantinha, com distribuição gratuita.

O custo da operação variava entre R$ 4 mil e R$ 8 mil. A quantia, no entanto, não figurava nos gastos de campanha desses candidatos, levantando suspeita sobre a prática de caixa dois. Em alguns casos, os pagamentos eram feitos com dinheiro em espécie.

Além disso, segudo o MP, Gomes contava com técnicas de ocultação dos recursos e do patrimônio aferido, utilizando-se de contas bancárias de terceiros para realizar a operação. Diversas operações eram feitas utilizando a conta bancária de sua companheira, também denunciada.

Como o GLOBO mostrou, o Ipop lidera o segmento de pesquisas bancadas pelo próprio instituto, em crescimento neste ano. Em oito meses, investiu R$ 650 mil em 350 pesquisas, em 192 cidades — todas praticamente com o mesmo custo, de R$ 2 mil, independentemente do tamanho da amostra e do local.

Bem mais que o capital social que foi aberta em fevereiro deste ano, de R$ 150 mil. Na última semana, a empresa registrou 114 pesquisas no TSE, com a previsão de ouvir 57 mil pessoas.

Em depoimento, o candidato do PSC à prefeitura do município, Mack, disse que o empresário pediu R$ 6 mil para publicar uma pesquisa em que ele apareceria com 21,3% das intenções de voto. A oferta foi recusada e, um mês depois, foi publicado um levantamento em que Mack tinha 11,3%. Depois da divulgação, a Justiça barrou a pesquisa.

Em outro caso que corre na Justiça trabalhista, uma ex-funcionária do Ipop relata um cenário distinto do apresentado pela empresa nos últimos meses. Contratada como agente de pesquisa no fim de janeiro, ela relata falta de salários e acúmulo de funções que deveriam ser desenvolvidas pelo estatístico responsável pelas pesquisas, como a confecção dos discos apresentados aos eleitores e a definição dos bairros das cidades em que os questionários serão aplicados.

A prisão preventiva de Marcio Rogerio Pereira Gomes foi autorizada pelo juiz Pedro Henrique Guarda Dias, da 123ª Zona Eleitoral de Alvorada do Norte (GO).

O GLOBO entrou em contato com a defesa de Gomes, mas ainda não obteve retorno. Em entrevista em outubro, empresário afirmou que as acusações sobre manipulação de pesquisas na justiça eram feitas por candidatos descontentes com os resultados:

— Caso você fosse candidato e saísse um resultado em que você está em segundo ou terceiro, você não ia desqualificar a pesquisa? Estamos ganhando (na Justiça) em toda — disse.