Dono de navio encalhado no Canal de Suez pede desculpas e admite que retirada é 'extremamente difícil'

Extra com agências internacionais
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A empresa dona do navio encalhado no Canal de Suez, no Egito, desde terça-feira se desculpou pelo transtorno, que afeta o comércio global. Toshiaki Fujiwara, da companhia japonesa Shoei Kisen Kaisha disse à agência AFP que o trabalho de transpor o Ever Given tem sido "extremamente difícil", mas que está "trabalhando duro para resolver a situação".

Nesta manhã, a Autoridade do Canal de Suez (SCA) informou que suspendeu temporariamente a navegação até que o porta-contêineres seja reflutuado. Segundo a Leth Agencies, uma das principais prestadoras de serviços da travessia, ao menos 150 navios foram afetados pelo congestionamento e bloqueio na hidrovia.

De acordo com a operadora da embarcação, a empresa de transporte taiwanesa Evergreen Marine Corp., o navio encalhou após ser atingido por fortes rajadas de vento que desviaram o casco. Oito rebocadores retomaram o trabalhou no local na manhã desta quinta-feira, na tentativa de retirar a embarcação na maré alta.

Peter Berdowski, chefe de uma das empresa que atua na alertou que há possibilidade do trabalho durar semanas e que os contêineres podem ter que ser retirados para aliviar a carga.

— É como uma enorme baleia encalhada. É um peso enorme na areia. Podemos ter que trabalhar com uma combinação de redução de peso removendo contêineres, óleo e água do navio, rebocadores e dragagem de areia — disse em entrevista à uma emissora de TV holandesa.

Inaugurado em 1869, o canal garante a passagem de 10% do comércio marítimo internacional. Apenas em 2020, cerca de 19 mil navios utilizaram a passagem. Historiador marítimo baseado no estado americano da Carolina do Norte, Sal Mercogliano disse à "BBC" que incidentes como este são raros, mas podem ter "enormes desdobramentos para o comércio global".

— Este é o maior navio que já encalhou no Canal de Suez. Se eles não conseguirem puxá-la para fora na maré alta, vão ter que começar a retirar a carga — explicou Mercogliano.