Dona de creche no RJ é acusada de humilhar funcionárias: 'Sou rica, você é pobre'

RJ: Ex-funcionárias acusam donos de creche de humilhações - Foto: Reprodução/TV Globo
RJ: Ex-funcionárias acusam donos de creche de humilhações - Foto: Reprodução/TV Globo

Danielle Bárbara da Fonte Moraes e o marido Thiago da Silva Moraes, proprietários da creche particular Fonte Reis Prime, em Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio, estão sendo investigados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, por suspeita de humilhar e agredir ex-funcionários.

Uma funcionária da creche afirma ter sido agredida pela diretora da instituição, pouco depois de pedir demissão. De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado como lesão corporal na 28ª DP (Campinho). A agressão ocorreu na última segunda-feira (12).

Outras pessoas que trabalhavam no local também procuraram a 28ª Delegacia de Polícia para apresentar denúncias contra os donos do estabelecimento. Segundo os depoimentos, Danielle e Thiago, humilhavam e agrediram os profissionais contratados.

Danielle enviou uma mensagem de voz, por um aplicativo de mensagens, ofendendo uma funcionária, quando ela disse que iria à polícia denunciar a creche.

"Eu não vivo daquilo! Eu sou rica! Eu disse que eu sou rica!!! Eu não trabalho. Entende que às vezes eu fico seis meses em Orlando, seis meses na França, Londres? Amor, eu não trabalho porque eu preciso. Eu tenho renda passiva, tenho investimento. Eu sou rica!!! Você é pobre!!!", disse Danielle em áudio acessado pelo portal G1.

Amélia Marracho Rodrigues, auxiliar de desenvolvimento infantil da creche, contou que foi agredida por reclamar que tinha barata no arroz servido aos funcionários.

"Ela pegou no meu cabelo, eu caí no chão para que ela pegasse meu celular que estava na minha cintura, porque eu disse que estava gravando toda a situação. A (agressão) verbal eu venho sofrendo desde que comecei a trabalhar lá, com comentários maldosos", comentou a auxiliar.

A professora Isabelle Lira, de 28 anos, que é ex-funcionária do espaço, confirmou a versão de Amélia e relatou que presenciou as baratas no arroz. “Fui mexendo na comida e tinha patinha, troncos, cascas”.

Uma outra professora que também é ex-funcionária da creche e preferiu não ser identificada, acusa Thiago, esposo de Danielle, por constrangimento ilegal.

A professora, prestou queixa contra Thiago, que é diretor da instituição, por tê-la mantida presa em uma sala, sem seus pertences e sem poder pegar o telefone, até que ela assinasse um documento comprovando que seu pagamento de férias tinha sido feito, o que não era verdade.

De acordo com a ex-funcionária, Thiago tinha tomado conhecimento de que ela havia entrado com um processo trabalhista contra a escola, exatamente pelo não pagamento de férias anteriores e por não receber pela carga de trabalho dupla que realizava.

A professora disse que Thiago falou que ela não sairia da sala enquanto não assinasse, e que, então, coagida, assinou e logo em seguida procurou a polícia.

Além dos profissionais contratados, vizinhos da creche informaram que as crianças atendidas na instituição também sofriam com os abusos dos proprietários.

"O que me apavora são os gritos das crianças. Elas choram muito, muito. Inclusive eu escuto, algumas vezes, a professora falar 'cala a boca, cala a boca, cala a boca'", contou uma vizinha.

Os dois procedimentos registrados na 28ª DP, ficarão a cargo do Juizado Especial Criminal para decisão judicial.

Thiago se pronunciou sobre o caso e negou todas as acusações e disse que as ex-funcionárias fazem parte de um "motim".

"Tá acontecendo uma série de inverdades, uma série de pessoas que estão fazendo um determinado motim para estar levantando uma série de inverdades sobre o nosso trabalho", comentou Thiago.