Doria acusa Ministério da Saúde de desabilitar leitos de UTI em SP por 'viés ideológico'

Dimitrius Dantas
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O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), acusou o Ministério da Saúde de desabilitar 3,2 mil leitos de UTI em São Paulo por razões políticas. Durante entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, o tucano afirmou que, com a decisão, haverá uma "drástica redução" no número de leitos exclusivos para o tratamentos da Covid-19 no estado.

Na prática, isso significa que o Ministério da Saúde retirou sua parte do investimento na manutenção de UTI no estado, segundo o governo de São Paulo. De acordo com a Secretaria da Saúde, o investimento do Ministério nesses leitos foi de R$ 1,5 bilhão entre abril de 2020 e fevereiro de 2021. Agora, estados e municípios terão que arcar com esse custo para manter os leitos.

— O Ministério de Saúde quebra o pacto federativo ao impor a São Paulo a desabilitação destes leitos e estabelece claramente um viés político no comportamento do Ministério da Saúde no enfrentamento de uma crise gravíssima de saúde como essa — afirmou.

O governador prometeu ainda, se preciso, judicializar a questão. Segundo ele, houve a desabilitação de leitos também em outros estados.

— É avançar dentro de uma política de ordem ideológica, partidária no tema da saúde, mais do que aquilo de errado e condenável que já se fez pelo Ministério da Saúde e utilizaremos todos os canais se mantiver essa decisão. Vamos judicializar, vamos ao Supremo. Um absurdo virar as costas para aqueles que precisam de UTI por uma razão política — disse Doria.

Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado tem cerca de 5 mil de leitos UTI no estado. Do total, apenas 564 foram habilitados.

— Outros 3258 leitos de Covid-19 foram simplesmente desabiltiados em plena pandemia — afirmou Gorinchteyn, que completou: — A pandemia não acabou, precisamos desses recursos. Precisamos que o governo federal faça a sua parte, cumpra seu papel nesse pacto.

O secretário ainda destacou que, apesar de reiterados pedidos, o estado de São Paulo também não recebeu ainda sua cota de agulhas e seringas necessárias para a vacinação contra a Covid-19.

— Das 15 milhões de seringas e agulhas que deveriam ser distribuídas, São Paulo solicitou 3,4 milhões que não vieram e sequer estão previsionadas. O programa de vacinação não para e precisa, para sua continuidade, de seringas e agulhas — afirmou.

Esse é mais um episódio de tensão entre o governo de São Paulo e o governo federal. Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro e o governador João Doria tem atuado de formas diferentes e trocado acusações. Em janeiro, o governo de São Paulo anunciou, inclusive, o início de sua campanha de vacinação de forma independente à do governo federal. A situação foi contornada com a aquisição, pelo Ministério da Saúde, de todas as doses da vacina do Butantan.