Doria admite abrir diálogo com Lula e agora coloca em dúvida decisões de Moro

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 31-03-2022:  O governador do estado João Dória, anúncioU da renúncia do cargo público para entrar na corrida presidencial, durante o Congresso Estadual de Municípios, no Palácio dos Bandeirantes. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, BRASIL, 31-03-2022: O governador do estado João Dória, anúncioU da renúncia do cargo público para entrar na corrida presidencial, durante o Congresso Estadual de Municípios, no Palácio dos Bandeirantes. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, João Doria, defendeu que haja diálogo com o ex-presidente Lula (PT) em nome da preservação da democracia e da derrota de Jair Bolsonaro (PL).

Doria evitou ainda dizer se as decisões de Sergio Moro (União) em relação ao petista foram corretas ou equivocadas, ressaltando gostar do ex-juiz e ter respeito por ele.

O ex-governador de São Paulo participou de sabatina realizada por Folha de S.Paulo e UOL nesta quinta-feira (28). A entrevista foi conduzida pela apresentadora Fabíola Cidral, pelo colunista do UOL Josias de Souza e pela jornalista da Folha de S.Paulo Catia Seabra.

"Não há razão para não manter o diálogo com Lula, com o PT, com partidos à esquerda e partidos à direita", disse Doria, salientando que a democracia pressupõe diálogo.

"Tenho posições muito distintas em relação ao PT, mas isso não impede de manter uma relação respeitosa", disse Doria. "Só nos regimes autoritários é que não há diálogo", completou.

Doria, no entanto, rejeitou a ideia de um apoio a Lula já no primeiro turno. Em relação ao segundo turno, o pré-candidato afirmou que o PSDB estará na segunda etapa da disputa. "Sou otimista e determinado", emendou.

Em relação a Moro, a quem chegou a realizar um evento de homenagem quando era governador de São Paulo, Doria afirmou não ser capaz de analisar de ele foi isento no julgamento de Lula. O STF (Supremo Tribunal Federal) já anulou condenações do petista na Lava Jato e o Comitê de Direitos Humanos da ONU concluiu que Moro foi parcial.

"A minha posição não mudou em relação a Sergio Moro. Mas eu não sou capaz de fazer juízo se os julgamentos que ele realizou foram corretos ou não foram corretos, cabe isso aos tribunais. Aliás, o Supremo já se manifestou e eu aprendi a respeitar as decisões da Justiça", disse Doria.

"Não sou jurista, não sou advogado e não frequento e nem participo de nenhum tribunal. Eu não me sinto à vontade para fazer esse julgamento. E quero registrar que respeito Sergio Moro. Portanto, eu não faço pronunciamento automático de endosso como esse, ainda que eu respeite a ONU. Mas por desconhecer os critérios dessa avaliação, não posso fazer o endosso", afirmou em relação à decisão da ONU.

Questionado sobre a mudança de postura, já que sempre criticou Lula e o PT de forma dura, Doria respondeu que "o Brasil está farto de guerra e conflito".

Doria também afirmou que não daria seu voto a Bolsonaro novamente.

Ele disse ainda que tem respeito e nunca cessou o diálogo com o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), que foi seu padrinho político no PSDB, mas deixou o partido após desentendimento com o ex-governador e agora deve ocupar a vaga de candidato a vice na chapa de Lula.

O tucano afirmou, contudo, não compreender "a razão de ele [Alckmin] estar ao lado de Lula".

Doria deu como encerrada a disputa interna no PSDB com o ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, que perdeu as prévias para o paulista em novembro passado. Mesmo derrotado, Leite iniciou uma pré-campanha paralela à Presidência da República, mas divulgou uma carta de apoio a Doria na última sexta-feira (22).

"Esse assunto foi reavivado e foi encerrado", disse Doria, ressaltando que a carta de Leite foi bonita e um gesto de grandiosidade. No entanto, aliados do gaúcho, que também cogita disputar a reeleição no seu estado, ainda têm esperanças de que Leite seja o presidenciável do PSDB no lugar de Doria.

Doria minimizou os problemas da sua pré-candidatura, como a rejeição de eleitores e a dificuldade de composição da terceira via —formada por PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil.

Os partidos acertaram o lançamento de uma candidatura única até 18 de maio, mas a União Brasil já admite se retirar das conversas. Na sabatina, Doria afirmou que "a tendência da União Brasil é caminhar sozinha" e que isso será respeitado.

Ele afirmou que a unidade da terceira via "é um trabalho em progressão, pode dar certo ou não". "Ainda acredito na possibilidade de união", emendou. "O importante é que o diálogo continua, para defender e proteger o Brasil e encontrar alternativa para romper a polarização."

Doria evitou responder sobre os planos de PSDB e MDB caso a frente perca seu maior partido, a União Brasil, que tem o maior tempo de TV e o maior fundo eleitoral.

Doria afirmou que a decisão sobre os próximos passos cabe aos presidentes dos partidos.

Além de Doria, outras opções de presidenciáveis da terceira via são Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União). O tucano disse não ter restrição ao diálogo com Ciro Gomes (PDT), apesar de já ter sido xingado pelo pedetista.

O ex-governador ressaltou, no entanto, que uma aliança eleitoral seria difícil, já que as posições defendidas por eles, sobretudo no campo de economia e privatizações, são diferentes.

Questionado sobre admitir a opção de ser candidato a vice na chapa da terceira via, Doria respondeu que não exclui nenhuma possibilidade.

"Não me priorizo e nem excluo nenhuma alternativa. A prioridade é o Brasil e os brasileiros, não é sequer meu partido, nem sequer o indivíduo ", afirmou.

O tucano disse ainda que isso não era uma crítica a Tebet, que afirmou em sua sabatina que não toparia a cadeira de vice.

Doria, no entanto, disse não cogitar concorrer a uma vaga no Congresso ou mesmo disputar a reeleição em São Paulo. Ele reafirmou que o candidato do partido é o atual governador, que foi seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB).

Questionado sobre seu papel na campanha de Rodrigo, já que o Datafolha mediu que 66% dos eleitores não votariam em candidato apoiado por Doria, o ex-governador afirmou que seu vice será reeleito, mas não deixou claro se participará da campanha —até agora, tem se mantido distante.

Doria lembrou, contudo, que Bruno Covas (PSDB), que também era seu vice, foi reeleito prefeito de São Paulo em 2020. Na época, o apoio de Doria também era considerado um obstáculo eleitoral.

A respeito de sua rejeição, que foi de 30% no último Datafolha, Doria atribuiu ao enfrentamento da pandemia seguindo medidas determinadas pela ciência, como isolamento social e vacinação —o contrário do que pregou Bolsonaro.

"A rejeição ao meu nome não foi criada por uma desaprovação ao nosso governo, que tem ótimos resultados, mas por uma máquina de destruição de reputação bolsonarista que sistematicamente criou ataques", disse.

Doria afirmou ser contra a legalização do aborto e da maconha, além de ser contra a regulamentação da mídia, contra o sistema semipresidencialista, contra a taxação de grandes fortunas, contra revogar a reforma trabalhista e contra derrubar o teto de gastos.

Foi a favor da privatização da Petrobras, da liberação de jogos de azar, das cotas raciais, da independência do Banco Central, do marco temporal para demarcação de terras indígenas, do cumprimento de pena após condenação em segunda instância, da manutenção do auxílio de R$ 400,

O tucano afirmou que, se eleito, vai respeitar a lista tríplice para indicação do procurador-geral da República e disse ser contra a posse e o porte de armas, "exceto no campo, onde houver necessidade e com regras".

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RAIO-X

JOÃO DORIA, 64

Empresário, jornalista e publicitário, foi secretário de Turismo da cidade de São Paulo (1983-86, gestão Mario Covas) e presidente da Embratur (1986-88). Tucano desde 2001, concorreu e venceu em primeiro turno a eleição para prefeito paulistano em 2016, deixando o cargo em 2018 para disputar e vencer o Governo de São Paulo

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