Doria antecipa para sexta (19) vacinação em pessoas de 72 a 74 anos em SP

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que antecipará para esta sexta-feira (19) o início da vacinação para pessoas de 72 a 74 anos. Anteriormente, a faixa etária só seria contemplada a partir de segunda (22). As decisões foram anunciadas em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes nesta quarta (17). Nessa etapa da vacinação, o governo pretende imunizar 730 mil pessoas no estado —mais do que nas etapas anteriores de vacinação de idosos. Estarão abertos, além dos postos de saúde, as estações para vacinação em drive-thru (na capital, a prefeitura mantém um site para localizar esses postos). A etapa seguinte, de vacinação para pessoas de 70 e 71 anos, está prevista para 29 de março. Nessa faixa, segundo o cálculo do governo, há 600 mil pessoas a serem imunizadas. O estado já havia imunizado até terça (16) 2,97 milhões de pessoas com a primeira das duas doses da vacina (6,43% da população, atrás apenas do Amazonas) e 1,13 milhão delas já havia recebido também a segunda dose (2,43%). Segundo o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, o estado recebe 200 pedidos de internação em UTI por Covid por dia, e 63 cidades das 105 que têm UTI para pacientes do novo coronavírus já estão lotados. Na Grande São Paulo, a ocupação de leitos é de 90,6%. "Esse é o momento mais crítico da pandemia que vivemos", disse. "Novas internações continuam crescendo de forma absolutamente rápida". Mais cedo, o governador João Doria sinalizou que poderia anunciar mais medidas restritivas na coletiva, o que não foi feito. Questionado sobre o assunto, Doria afirmou que a "imprensa não pauta" as ações que serão tomadas. O médico Paulo Menezes, do comitê de contingência, afirmou que se forem necessárias novas medidas elas serão tomadas. " Nós estamos no terceiro dia de fase emergencial. É lógico que nós queremos que a situação melhore imediatamente, mas isso não ocorre. Semana passada já foram tomadas medidas muito firmes e que impactam na vida da grande maioria da população de São Paulo". João Gabbardo, também do centro de contingência, afirmou que os dados apresentados mostram que "estamos conseguindo aumentar o distanciamento físico das pessoas, que é o ponto mais significativo para que se possa diminuir a transmissibilidade da doença". O estado de São Paulo registrou na terça-feira (16) recorde de novos óbitos causados pelo novo coronavírus em 24 horas, 679. Integrantes do centro de contingência para a pandemia que auxilia Doria disseram ao jornal Folha de S.Paulo que os leitos de UTI no estado podem acabar nesta quinta (18). Mais cedo, hospitais privados da capital, lotados, haviam solicitado leitos do SUS (Sistema Únido de Saúde) para acomodar pacientes. Atualmente, a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em consórcio com a farmacêutica chinesa Sinovac, responde por 8 de cada 10 doses aplicadas no Brasil. Além dela, a outra única vacina em uso no Brasil é a desenvolvida pela Universidade de Oxford com a Astrazeneca, produzida pela Fiocruz e priorizada pelo governo federal em seu programa de vacinação, que só após meses de negativas passou a encomendar doses de outros produtores. As previsões de entrega das demais vacinas, porém, têm sido constantemente postergadas —nos oito primeiros dias deste mês, o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reduziu a previsão cinco vezes. Diante do cenário, Doria voltou a criticar o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e aproveitou para questionar Marcelo Queiroga, sucessor de Pazuello. "Onde está a enxurrada de novas vacinas prevista pelo ex-ministro Eduardo Pazuello? A única enxurrada que vimos até agora é de mortes. Espero que o novo ministro [o médico Marcelo Queiroga] mantenha seu compromisso com o juramento que ele fez de manter os princípios da vida", disse. O governo afirmou que houve melhora nos índices de isolamento, que aumentaram nos últimos dias, chegando a 44%. O patamar, contud, ainda é baixo comparado a outros momentos da pandemia, e o desejado é que esteja pelo menos em 50%. O número de passageiros transportados no metrô, CPTM, EMTU, entre outros, caiu de 10,5 milhões, no dia 11 de março, para 4 milhões, no dia 16. Durante a coletiva, Doria anunciou uma série de medidas econômicas, como a isenção do ICMS para o leite. No caso da carne, os estabelecimentos enquadrados no chamado simples, que são em geral os pequenos e médios açougues, tiveram redução de 13,3% para 7% na compra de carne para a revenda.