Doria anuncia aulas de inglês a partir do 1º ano sem definir se contratará professores

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.03.2020 - O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa após visita as obras de instalação do Hospital Municipal de Campanha de Combate ao Coronavírus no estádio do Pacaembu. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2003271843220388
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 27.03.2020 - O governador de São Paulo, João Doria, durante coletiva de imprensa após visita as obras de instalação do Hospital Municipal de Campanha de Combate ao Coronavírus no estádio do Pacaembu. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2003271843220388

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador João Doria (PSDB) informou que a partir de janeiro de 2022 alunos de escolas estaduais terão aulas de inglês a partir do 1º ano do ensino fundamental. No entanto ainda não há definição sobre quais professores vão ministrar a disciplina e se haverá contratação de novos docentes.

O ensino de inglês no país só é obrigatório a partir do 6º ano. A gestão Doria decidiu que vai passar a oferecer a disciplina a todos os cerca de 600 mil alunos do 1º ao 5º ano, como forma de ajudá-los a desenvolver habilidades socioemocionais.

Apesar do anúncio, a Secretaria Estadual de Educação disse ainda não ter definido qual será a carga horária das aulas de inglês para os alunos. Também não definiu como serão ministradas as aulas, se serão conduzidas pelos professores de sala (o polivalente, que ensina todas as disciplinas) ou por docentes contratados especificamente para as aulas do idioma.

Historicamente o país enfrenta a ausência de professores com formação adequada para lecionar inglês. Dados do Ministério da Educação mostram que mais da metade dos docentes de língua estrangeira não tem formação na área.

Caetano Siqueira, da Coordenadoria Pedagógica da secretaria, reconhece que a formação dos professores de inglês "é um desafio para a oferta da disciplina nos anos iniciais". Mas, diz ele, "não podemos nos limitar por esse desafio".

No início do ano passado, a gestão Doria já havia reconhecido o problema na formação dos professores de inglês da rede estadual. Na época, foi lançado um projeto piloto, com apoio da iniciativa privada, para traçar um diagnóstico do nível de proficiência do idioma entre os cerca de 18 mil docentes da disciplina. ​

Além da dificuldade de ter professores com formação adequada para a disciplina, a pasta também terá de lidar com os prejuízos de aprendizagem dos alunos por causa da pandemia e do tempo que passaram afastados da sala de aula.

Segundo Siqueira, a avaliação é de que a inclusão de novos componentes curriculares pode ajudar os estudantes a desenvolver habilidades consideradas essenciais e, assim, recuperar os conteúdos perdidos.

“Sabemos que a pandemia causou um buraco de aprendizado muito grande, principalmente para essa etapa em que as crianças são menores e têm menos autonomia para acompanhar o ensino remoto. Recuperar a aprendizagem é a nossa prioridade, mas não podemos deixar de olhar para o futuro.”

Levantamento do jornal Folha de S.Paulo identificou que a maior diferença de desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) entre alunos de escola pública e privada ocorre na prova de inglês.

Embora a disciplina não seja obrigatória nos primeiros anos do ensino fundamental, a maioria das escolas privadas há anos já ministra a língua estrangeira nessas séries. Segundo a secretaria, a inclusão da disciplina para o 1º ano a partir de 2022 só será obrigatória nas escolas estaduais.

As aulas de inglês nessa etapa fazem parte do programa Inova, anunciado pela secretaria em 2019. A partir do próximo ano, os alunos dessas séries também passarão a ter as disciplinas de projeto de convivência e tecnologia e inovação.

Escolas com turmas dos anos iniciais do fundamental também poderão a partir de 2022 aderir ao programa de educação em tempo integral. O aumento de vagas nessa modalidade era uma das principais promessas de campanha de Doria para a área e foi acelerada para conter os prejuízos educacionais provocados pela pandemia.

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