Doria anuncia produção de 1 milhão de doses da CoronaVac por dia

João Conrado Kneipp
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Sao Paulo State Governor Joao Doria speaks during a press conference while displaying a box of the COVID-19 vaccine produced by the Chinese company Sinovac Biotech at the Hospital das Clinicas (HC) in Sao Paulo State, during its trial stage, in Sao Paulo, Brazil, on July 21, 2020  amid the novel coronavirus pandemic. - The vaccine trial will be carried out in Brazil in partnership with the Brazilian Research Institute Butanta. (Photo by Nelson ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Doria afirmou que serão produzidas 1 milhão de doses por dia do imunizante. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB) anunciou que o Instituto Butantan iniciou na quarta-feira (9) a produção da CoronaVac, vacina contra Covid-19 desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

Doria afirmou que serão produzidas 1 milhão de doses por dia do imunizante e anunciou que a fábrica deverá funcionar 24 horas por dia com a chegada de 120 novos técnicos que trabalharão na produção da vacina.

“O Instituto Butantan iniciou ontem (quarta-feira) a produção da vacina do Butantan, a CoronaVac, aqui na sede em São Paulo. Para produzir a quantidade de vacinas que a urgência nos impõe, a fábrica do Butantan passará, a partir de agora, a funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Com isso a capacidade de produção chegará a 1 milhão por dia”, afirmou, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10).

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A CoronaVac, assim como as outras vacinas em produção ou em fase de estudos no mundo, ainda não recebeu o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que seja aplicada na população.

Nesta quinta, a agência definiu as regras para a autorização temporária de uso emergencial das vacinas. Na prática, a decisão facilita o caminho para que companhias desenvolvedoras da vacina consigam a autorização para imunizar os brasileiros.

O governador assegurou que São Paulo irá iniciar a vacinação em 25 de janeiro, conforme declarou na segunda-feira (7) ao apresentar o Plano Estadual de Vacinação, e afirmou que outros 11 estados e 912 municípios já manifestaram o interesse em adquirir a CoronaVac.

“O anseio pela vacina é nacional. O Brasil não pode assistir o mundo iniciar a vacinação e aqui estarmos em um debate inconclusivo e de braços cruazados. São Paulo não cruza os braços e vai ajudar os estados e municípios que assim quiserem para salvarmos vidas”, completou.

Entre os estados que solicitaram as doses, o governo citou Acre, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Piauí, Pará, Paraíba, Roraima, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

EMBATE COM GOVERNO FEDERAL

O governo federal vem sendo cobrado por Estados e municípios a apresentar um plano nacional de vacinação contra a Covid-19 que inclua uma ampla variedade de vacinas e não se concentre apenas no imunizante da AstraZeneca, que é a principal aposta do governo federal.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia prometido na véspera a governadores apresentar o plano de vacinação nesta quarta-feira, mas adiou o anúncio. A expectativa é que isso ocorra na próxima semana, segundo o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros.

Sem citar especificamente a CoronaVac, Pazuello reiterou nesta quarta que o ministério vai comprar todas as vacinas disponíveis e incorporar ao plano de imunização, desde que elas tenham sido aprovadas pela Anvisa.

A vacina chinesa é vista com resistência pelo presidente Jair Bolsonaro, tanto por ser fabricada por uma empresa da China como por ter como parceiro no Brasil o Instituto Butantan, ligado ao seu rival político João Doria.

O imunizante ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente e o governador, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem. Neste mês, o presidente voltou atrás e declarou que poderia autorizar a compra da vacina produzida pela Sinovac, mas não pelo preço que um "caboclo aí quer".