Doria chama Bolsonaro de 'negacionista' e diz que SP poderá vacinar pessoas de outros estados

Dimitrius Dantas
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Governador de Sao Paulo, Joao Doria mostra caixa da vacina Coronavac, em Brasilia
Governador de Sao Paulo, Joao Doria mostra caixa da vacina Coronavac, em Brasilia

SÃO PAULO — O governador de São Paulo, João Doria, voltou a subir o tom contra o presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista concedida à rádio CBN na manhã desta quinta-feira, o tucano disse que Bolsonaro é conhecido internacionalmente como negacionista. Segundo Doria, Bolsonaro tem uma obsessão por ele e pela reeleição.

— Não foi eu que declarei que (a Covid) era uma gripezinha, não ofereci cloroquina à população e nem à ema do Palácio da Alvorada. Não falei que quem faz isolamento, usa máscara é covarde. Todas essas afirmações são do Presidente Jair Bolsonaro, um notório negacionista, uma pessoa que se notabilizou internacionalmente como negacionista. Eu não faço política com a vacina — afirmou Doria.

O governador lamentou que Bolsonaro tenha desautorizado seu ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Na terça-feira, Pazuello anunciou em reunião com governadores a intenção de adquirir 46 milhões de doses da vacina da empresa chinesa Sinovac em parceira com o Instituto Butantan. No dia seguinte, entretanto, Bolsonaro ordenou que a pasta voltasse atrás.

A decisão ocorre em meio a meses de tensão entre o presidente e o governador paulista. De acordo com Doria, a atuação do presidente humilhou o ministro. O tucano destacou que Pazuello foi aplaudido na reunião em que falou, entre outras coisas, que a vacina do Butantan era a "vacina brasileira".

Doria afirmou ainda que enxerga o presidente com uma predileção por brigas, lembrando de outras polêmicas de Bolsonaro. Segundo Doria, o presidente tem "uma volúpia pela briga".

— (O presidente) Desautorizou o ministro, humilhou seu ministro desautorizando publicamente. É inacreditável que numa pandemia um presidente coloque esse vértice eleitoral e essa obsessão pela sua reeleição e obsessão em relação a mim — disse.

Na entrevista concedida à rádio CBN, o governador afirmou que é possível que pessoas de outros estados que estejam em São Paulo ou venham para o estado tenham acesso à vacinação.

Antes da polêmica sobre a compra de doses da vacina, o presidente Jair Bolsonaro e o governador já tinham se oposto em relação à obrigatoriedade da vacina.

— São Paulo nunca fecha as portas a ninguém. Os hospitais de SP, as unidades básicas de saúde sempre atenderam pessoas, inclusive de outros estados — disse Doria, que completou: — Seria legítimo e absolutamente correto, além de humanitário, que atendêssemos na vacinação pessoas de outros estados que estivessem aqui ou para cá se dirigissem.

Durante a entrevista, Doria afirmou repetidamente que torce pelas outras vacinas, mas lembrou que a vacina desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan é a mais avançada na fase de testes.

O governador, entretanto, evitou falar em cronograma. O tucano já tinha colocado o dia 15 de dezembro como uma possível data para o início da imunização dos profissionais de saúde.

Segundo o tucano, entretanto, após reunião com a Anvisa, decidiu evitar falar em datas. Segundo os técnicos da agência, as falas poderiam ser entendidas como pressão para a aprovação da vacina.

— A Anvisa nos solicitou isso, entendendo que não era necessário estabelecer uma data e que isso pudesse ser compreendido como uma pressão. Foi de forma respeitosa que decidimos não cravar uma data — afirmou Doria.