Doria chama participação de Bolsonaro em ato de inadequada e imprópria

IGOR GIELOW
**ARQUIVO** SÃO PAULO, SP, 16.12.2019: O governador João Doria. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou o estímulo e a participação do presidente Jair Bolsonaro nos atos em favor do governo federal e contra o Congresso e o Judiciário, neste domingo (15).

Para o tucano, Bolsonaro foi "inadequado no ato e impróprio na atitude". Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na quinta (12), Doria já havia afirmado que nenhum Poder poderia conclamar manifestações contra outro.

No caso deste domingo, a situação foi agravada pela emergência sanitária mundial decorrente da pandemia do novo coronavírus.

Bolsonaro esteve com pelos menos seis pessoas infectadas pelo patógeno em sua viagem aos Estados Unidos na semana passada, incluindo seu secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten.

Neste domingo, o presidente não só estimulou concentrações públicas como foi de encontro a uma delas, onde tocou pessoas e manuseou celulares para tirar selfies. Bolsonaro testou negativo para o vírus, mas terá de refazer o exame, seguindo assim protocolo internacional.

Governador do maior estado do país, com consequente prevalência no número de casos de infecções até aqui, Doria vem diferenciou-se desde o começo da crise do presidente. O tucano é um dos principais presidenciáveis especulados para enfrentar Bolsonaro em 2022, após distanciar-se do titular do Planalto.

Enquanto Bolsonaro minimizou a doença provocada pelo vírus e acusou alarmismo da mídia, Doria formou um grupo com 11 especialistas (o único não médico sendo Edson Aparecido, secretário de Saúde da capital paulista) coordenado pelo infectologista David Uip.

O tucano sofreu críticas do Ministério Pùblico estadual por não escalar de imediato medidas de isolamento no estado, mas elas vem sendo tomadas de forma paulatina segundo as orientações do grupo de Uip.

As escolas estaduais, por exemplo, serão fechadas aos poucos até o dia 23, e neste momento não é possível descartar ou adiantar nenhuma outra medida de contenção. "A decisão de hoje pode ser mudada amanhã", disse o governador.