Doria chama pronunciamento de Bolsonaro de "farsa" e diz que comitê nacional "não representa" São Paulo

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Sao Paulo Governor Joao Doria speaks during a press conference in Serrana, about 323 km from Sao Paulo, Brazil, on February 17, 2021. - A small town in the interior of the Brazilian state of Sao Paulo began vaccinating its entire adult population on Wednesday as part of an unprecedented clinical study to analyse the impact of immunisation in controlling the Covid-19 pandemic. (Photo by NELSON ALMEIDA / AFP) (Photo by NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)
Doria afirmou que o comitê 'Anti-Covid' criado pelo governo de Jair Bolsonaro "não representa" o estado de São Paulo e adiantou que o governo estadual não fará parte. (Foto: NELSON ALMEIDA / AFP)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), chamou de "farsa" o pronunciamento feito na noite de terça-feira (23) pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no qual exaltou a vacinação e prometeu o Brasil "autossuficiente" em imunizantes.

Doria classificou as falas feitas por Bolsonaro como "mentiras" e "inverdades". As críticas foram feitas durante a coletiva de imprensa desta quarta-feira (24), na qual foram anunciadas a vacinação dos professores e policais, além da antecipação da imunização dos idosos entre 69 e 71 anos.

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"Para quem, como eu e milhões de brasileiros, assistiu aquela farsa daquele depoimento do presidente Jair Bolsonaro ontem na televisão, com mentiras, inverdades e disfarçando com uma máscara que nunca utilizou, não é confiável a realização de um comitê que exclui governadores que estão trabalhando para proteger vidas e defender o distanciamento social, o isolamento quando necessário, o uso de máscaras, aplicação de vacinas e o não-uso de cloroquina.

Doria também citou a criação do comitê nacional "Anti-Covid", formalizado pelo governo federal na manhã desta quarta-feira (24). O governador afirmou que o grupo "não representa" o estado de São Paulo e adiantou que o governo estadual não fará parte.

"Este comitê não nos representa, nós não fomos convidados e aquilo que representa a saúde, a necessidade de proteção da vida dos brasileiros de São Paulo deve ser tratado com o governador do estado de São Paulo. Não com um representando do governador do estado de São Paulo". 

"O Brasil quer vacinação. O Brasil não quer comitê de adulação, e comitê de adulação eu não participo", completou Doria. 

GOVERNO FEDERAL CRIA COMITÊ 'ANTI-COVID'

Ele se reuniu hoje com um grupo de governadores, os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, em uma suposta tentativa de união nacional para o combate ao coronavírus.

O encontro acontece após o Brasil registrar na terça-feira novo recorde de mortes pela covid-19: 3.251 em 24 horas.

O novo ministro da Saude, Marcelo Queiroga, defendeu também a campanha de vacinação como medida para enfrentamento da covid.

"Participamos de uma reunião de alto nível, caracterizada pela união entre os poderes. Para prover à população brasileira, com agilidade, uma campanha de vacinação capaz de diminuir a circulação do vírus. O sistema de saúde do Brasil dará as respostas que o povo brasileiro quer, sobretudo depois de uma reunião como essa", afirmou Queiroga.

Em sua fala, o presidente do Senado adiantou como vai funcionar o comitê.

"Eu fiquei incumbido de tratar com governadores de estados e do Distrito Federal para ouvir demandas e trazer para esse comitê. O STF não pode participar de um comitê desta natureza, mas deve estar em consonância, com pautas como aquisição de oxigênio e campanha de vacinação coordenada pelo ministério da saúde. Hoje, é um exemplo de civilidade, boa relação e harmonia entre os Poderes em um momento em que a sociedade exige isso de nós".

Entre os governadores presentes, estavam apenas os aliados ao governo: Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás), Renan Filho (Alagoas), Wilson Lima (Amazonas), Ratinho Jr. (Paraná) e Marcos Rocha (Rondônia).

Bolsonaro tentou adotar medidas contra lockdown

Após a reunião, o presidente não citou a adoção de medidas restritivas de circulação para todo o país. Na semana passada, mesmo com informações de que os hospitais estão cheios em todo o país, Bolsonaro havia apresentado a ação para impedir a realização de lockdown.

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, rejeitou o pedido do presidente Jair Bolsonaro que impedia a realização de lockdown, ou seja, confinamento, no Distrito Federal, na Bahia e no Rio Grande do Sul. A medida é considerada importante para impedir a propagação da covid-19.

Diversos estados, além do DF, estão à beira de um colapso hospitalar e veem na restrição de mobilidade uma maneira de diminuir o contágio pelo coronavírus.

Com a decisão de Marco Aurélio Mello divulgada na terça (23), as três unidades da federação seguem com as atividades não essenciais fechadas e com toque de recolher durante a madrugada.

O argumento do presidente era que a restrição de mobilidade é inconstitucional, pois retiram direitos básicos dos cidadãos. Desde o início da pandemia, o presidente tem se posicionado contra o fechamento do comércio e contra restrições de mobilidade impostas por governo.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), defendeu nesta quarta-feira as medidas restritivas. Em pronunciamento após a reunião, ao lado de Bolsonaro, ele ressaltou a importância de restringir a circulação de pessoas.

"Pedir a todos que entendam que em situações delicadas e críticas muitas vezes se faz necessário o isolamento social", disse o governador.

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