Doria classifica como "leviandade" ilação de Bolsonaro sobre morte de miliciano na Bahia

Paulo Cappelli e Luiz Ernesto Magalhães
Governador de São Paulo, João Doria, ao lado de Wilson Witzel, na Sapucaí

RIO — O governador de São Paulo, João Doria, classificou como "leviandade" e "crítica injusta" a ilação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o governador da Bahia, Rui Costa, filiado ao PT, teria premeditado a ação da polícia que matou o miliciano Adriano da Nobrega, no último dia 9, em Esplanada, no interior do estado.

— Preciso reconhecer que o Bolsonaro, com as agressões (recorrentes), com o emparedamento e a crítica injusta ao governador da Bahia, Rui Costa, fez os governadores ficarem mais unidos. Nós temos que ser defensores da democracia — disse Doria, ao chegar ao camarote do governador do Rio, Wilson Witzel, neste domingo, na Sapucaí.

— Não pode (o presidente) lançar uma acusação de que o Rui Costa teria sido o deflagrador da morte daquele miliciano que estava na Bahia. Fazer uma acusação dessa sem prova é uma leviandade. Hoje é com o governador da Bahia, amanhã com o do Rio, depois de amanhã com o do Rio Grande do Sul e, daqui a duas semanas, com o governador de São Paulo — afirmou Doria. Indagado por jornalistas se Bolsonaro estaria "obcecado" pela morte de Adriano da Nóbrega, termo usado por Rui Costa, Doria respondeu que "acha que sim".

Quando deputado federal, Bolsonaro homenageou Adriano da Nóbrega em Brasília. O mesmo foi feito pelo filho Flávio Bolsonaro, hoje senador, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Antes de entrar no camarote de Witzel, João Doria também criticou a suposta falta de diálogo de Bolsonaro com governadores e citou indiretamente a afirmação do presidente de que iria "zerar o imposto sobre combustíveis se os governadores zerarem o ICMS". Doria também contestou o crescimento econômico do país.

— Não é razoável, com um ano de um governo liberal, o país crescer 0,98%. É um crescimento muito pequeno. A geração de empregos também está muito aquém — afirmou o tucano.

Dória e Witzel acompanharam parte do desfile da Viradouro na pista próximo ao recuo da bateria ao lado do ex presidente do BNDES, Paulo Rabelo de Castro. Witzel estava mais desinibido e ensaiou alguns passos de samba. Os governadores do Rio e de São Paulo fizeram selfies e observaram os resultados nós respectivos celulares. Dória estava mais comedido que Witzel.

— Ainda estou aquecendo — brincou Dória.

Além dos governadores, estavam no recuo o vice governador do Rio, Cláudio Castro e o empresário Ricardo Amaral. Os dois deixaram a pista com a chegada da bateria ao recuo.