Doria diz que Ano-Novo e Carnaval em São Paulo só ocorrerão com vacina: 'Não temos que celebrar'

Possibilidade da não realização de mega-eventos já havia sido levantada por integrantes do governo na coletiva de terça-feira. (Foto: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que não há motivos para celebrar mega-eventos no estado, como o Ano-Novo ou o Carnaval, durante a pandemia do novo coronavírus. O governador defendeu que tais festividades só aconteçam com a criação de uma vacina contra a Covid-19.

“Não temos que celebrar nem Ano-Novo nem Carnaval diante de uma pandemia. Apenas com uma vacina pronta, aplicada e imunização feita poderemos ter celebrações que fazem parte do calendário do país, mas, neste momento, não”, disse nesta quarta-feira (15), em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes.

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Doria também fez questão de repetir os números nacionais de infectados e mortos pelo novo coronavírus e classificou a pandemia como “a maior tragédia da história” do Brasil. O governador, no entanto, se equivocou ao dizer que o país se aproximava dos 316 mil óbitos.

Dados do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) divulgados na terça-feira (14) apontaram que o país tem 1.926.824 infectados e 74.133 mortes por Covid-19.

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“O país está prestes a alcançar 2 milhões de casos confirmados e 316 mil mortes. É a maior tragédia da história do Brasil em qualquer tempo, não há nada a celebrar, não há nada a comemorar. Muita atenção àqueles que, diante de um quadro como esse, querem fazer atividades festivas de Ano-Novo ou de Carnaval”, completou ele.

Doria alertou que apesar das ondas de reabertura do comércio e relaxamento das medidas de isolamento, o estado de São Paulo permanece em em quarentena e que não é o momento para relaxar.

"Não podemos e não vamos relaxar. Aliás, um alerta: os lugares que descuidaram, aceitaram e mantiveram aglomerações, pessoas sem máscara, máscara no pescoço e que não respeitaram o distanciamento social, sofreram os impactos do vírus. Toda a atenção ainda é exigida", afirmou.

POSIÇÃO PASSADA UM DIA ANTES

A fala do governador corrobora o que disse, um dia antes, o coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus, Paulo Menezes. Na coletiva de terça, o epidemiologista afirmou que a realização de eventos como o Réveillon e Carnaval dependeriam da existência de uma vacina e de como a pandemia irá se comportar em 2021.

“Eventos onde não há controle de quantas pessoas participam e há aglomeração enorme não estão na visão próxima para o centro de contingência. Eles estão previstos, no mínimo, para a fase azul [quando terá a retomada total da economia] e não é uma situação que temos para as próximas semanas ou meses”, disse ele, na terça. 

Na mesma coletiva, João Gabbardo, coordenador-executivo do comitê, também afirmou que tais eventos dependem de quando a vacina estará disponível ao menos para a população de maior risco.

VACINA TEM INSCRIÇÕES ABERTAS PARA VOLUNTÁRIOS

O governo abriu, na segunda-feira (13), as inscrições para os testes em voluntários da vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech.

A fase de testes clínicos envolverá a aplicação e acompanhamento clínico de 9 mil voluntários em 6 diferentes estados no país. Nessa primeira etapa de testes, marcada para começar na próxima segunda (20), os voluntários deverão ser obrigatoriamente profissionais de saúde que estejam em atendimento à vítimas da Covid-19.

O voluntário deverá realizar um cadastro primário em um portal criado pelo governo de São Paulo. Sem colocar seus dados pessoais, o voluntário deverá preencher sua cidade, se possui registro em Conselhos Regionais de Saúde e identificar se trabalha ou não na linha de frente do combate ao novo coronavírus.

Também deverá responder se possui qualquer comorbidade ou são de grupos de risco para a doença; se está grávida; se já foi infectado pela Covid-19 anteriormente e se participa de algum outro estudo de vacina em andamento no Brasil.

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