Doria diz que avaliou mal ação para apagar grafites na avenida 23 de Maio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O prefeito João Doria (PSDB) afirmou em entrevista ao programa "Diálogos", da GloboNews, que avaliou mal a questão dos grafites apagados no início de sua gestão na avenida 23 de Maio, zona sul de São Paulo.

"Deveríamos ter fotografado e filmado as artes que estavam pichadas, teríamos que convidar os grafiteiros e, com eles, ter feito essa ação, não à revelia deles, mesmo que os painéis estivessem pichados. (...) Deveríamos ter feito e não fizemos, avaliamos mal", afirmou.

Doria voltou a chamar pichadores de agressores, mas destacou que grafiteiros e muralistas são artistas, que merecem o seu respeito e o respeito da cidade. "Nós não avaliávamos bem a relação dos pichadores com grafiteiros e muralistas. Não sabíamos o quão próxima era essa relação. Os pichadores ameaçam os grafiteiros", completou.

A remoção de grafites da 23 de Maio aconteceu na esteira do programa de combate à pichação, anunciado por Doria antes mesmo de tomar posse. A cobertura dos desenhos por tinta cinza provocou protesto. No aniversário da cidade, houve vaias contra Doria e manifestantes o acusaram de fazer uma "política higienista".

Após a remoção dos grafites, a prefeitura iniciou a instalação de um corredor verde na avenida. As primeiras plantas e folhagens começaram a ser colocadas nesta semana, na altura do viaduto Tutoia, mas também receberão vegetação os muros dos viadutos Santa Generosa, Beneficência Portuguesa, Pedroso, São Joaquim e Jaceguai.

Com a polêmica em torno dos grafites apagados, Doria lançou no mês passado o programa MAR (Museu de Arte de Rua), que pagará até R$ 40 mil a projetos de grafiteiros para áreas públicas da cidade. Serão selecionados inicialmente oito projetos que ocuparão diferentes regiões.

AVALIAÇÃO

Doria também aproveitou a entrevista para avaliar sua administração, que se aproxima dos cem dias no governo. Entre outros, ele apontou como pontos positivos os trabalhos de zeladoria do programa Cidade Linda e o Corujão da Saúde, criado para acabar com a fila de espera por exames na rede municipal.

"[Faço] um balanço positivo, construtivo e de muito trabalho. Eu tenho feito em média de 16 a 18 horas de trabalho todos os duas, inclusive sábados e domingos. (...) As pessoas querem uma cidade melhor pra viver, querem um espaço mais limpo, querem uma cidade mais organizada, mais disciplinada", disse ao falar dos mutirões do programa Cidade Linda.

"Outro sucesso [o Corujão da Saúde]. Em 90 dias zeramos o deficit que recebemos de 476 mil pessoas aguardando para fazer exames médicos na rede pública. Agora, você tem as filas normais (...), mas não filas para dez meses, 15 meses, 18 meses", afirmou o prefeito.