Doria diz que não sabia da participação americana na ButanVac: 'Entendo que é uma vacina nacional'

Redação Notícias
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Sao Paulo Governor Joao Doria shows the ButanVac vaccine candidate against Covid-19, at the Butantan Institute, in Sao Paulo, Brazil, on March 26, 2021. - The Brazilian ButanVac vaccine will ask for authorization from the National Health Surveillance Agency (Anvisa) to start clinical trials of phases 1 and 2 in humans, involving 1,8 thousand volunteers. Research started on March 26, 2020 and the production goal is to start on May and to deliver 40 million doses starting on July, 2021. (Photo by Miguel SCHINCARIOL / AFP) (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Doria não citou a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai, nos Estados Unidos, que participou do desenvolvimento do imunizante — a informação foi confirmada horas depois pelo próprio instituto ligado ao governo paulista (Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
  • Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que não sabia da participação americana no desenvolvimento da ButanVac

  • Na sexta, a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai, nos Estados Unidos, não foi citada durante a entrevista coletiva no Butantan para apresentar a vacina

  • Butantan voltou atrás e passou a incluir o nome do instituto americano nos comunicados à imprensa, dizendo que usou "parte da tecnologia" do Instituto

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta segunda-feira (29) que não sabia da participação americana no desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 desenvolvida no Instituto Butantã, a ButanVac. Ao anunciar o imunizante, na última sexta-feira (26), Doria ressaltou que era uma vacina "100% brasileira".

No entanto, ele não citou a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai, nos Estados Unidos, que participou do desenvolvimento do imunizante — a informação foi confirmada horas depois pelo próprio instituto ligado ao governo paulista

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"Simplesmente porque eu não tinha a informação [da participação do Instituto Mount Sinai]. Mas entendo que a ButanVac é uma vacina nacional. O importante é termos uma vacina, e temos. Se parte dela é tecnologia internacional, isso é uma boa contribuição, isso é positivo", disse o governador. 

Na sexta, o Mount Sinai não foi citado durante a entrevista coletiva no Butantan para apresentar o imunizante. O governo paulista reiterou que a vacina é "100% brasileira" e faz parte de um consórcio internacional com Vietnã e Tailândia para realização dos testes.

"Esse desenvolvimento começou há um ano, exatamente no dia 27 de março do ano passado, no laboratório da área bioindustrial", afirmou Dimas Covas na ocasião. O diretor do Butantan explicou que a tecnologia usada é a mesma que a da vacina da gripe e garantiu que o imunizante será seguro. A vacina é desenvolvida em ovo embrionário.

No mesmo dia, a Escola de Medicina Icahn do Instituto Mount Sinai disse ao jornal Folha de S. Paulo que a ButanVac foi desenvolvida nos Estados Unidos. Com a descoberta, o anúncio passou a ser criticado e mal avaliado até por apoiadores.

O diretor do departamento de microbiologia, Peter Palese, informou que os testes da fase 1, que ainda nem foram iniciados no Brasil, já estão sendo conduzidos no Mount Sinai e que eles quem iniciaram os testes no Vietnã e Tailândia.

Butantan volta atrás e passa a incluir o nome do instituto

Por este motivo, o Butantan voltou atrás e passou a incluir o nome do instituto americano nos comunicados à imprensa, dizendo que usou "parte da tecnologia" desenvolvida pelo Mount Sinai para "obter o vírus" e que, no Brasil, o desenvolvedor é a organização paulista.

BRAZIL - 2021/03/26: In this photo illustration medical syringes are seen with Butanvac logo displayed in the background. 
The vaccine from the Butantan Institute is being developed in Brazil. (Photo Illustration by Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)
O desenvolvimento da ButanVac começou há um ano, em 27 de março de 2020, a pretende começar a vacinar com o imunizante ainda em 2021. A tecnologia da nova vacina é a mesma usada para produção da vacina da gripe. Foto: Ilustração de Rafael Henrique/SOPA Images/LightRocket via Getty Images)

"O uso dessa tecnologia [importada] é livre do pagamento de royalties e pode ser feito por qualquer instituição de pesquisa em qualquer parte do mundo", justificou. "Entre as etapas feitas totalmente por técnicas desenvolvidas pelo instituto paulista, estão a multiplicação do vírus, condições de cultivo, ingredientes, adaptação aos ovos, conservação, purificação, inativação do vírus, escalonamento de doses, estudos clínicos e regulatórios, além do registro."

O pedido para a realização de testes clínicos está com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde a última sexta.

O que se sabe sobre a ButanVac

Na manhã desta sexta-feira (26), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciaram o desenvolvimento da ButanVac, uma vacina contra a covid-19 feita 100% no Brasil.

O desenvolvimento da ButanVac começou há um ano, em 27 de março de 2020, a pretende começar a vacinar com o imunizante ainda em 2021. A tecnologia da nova vacina é a mesma usada para produção da vacina da gripe.

  • Em que estágio está o estudo da ButanVac?

  • Quem pode se voluntariar para os testes?

  • Quando a vacina começará a ser aplicada?

  • Quantas doses terá a ButanVac?

  • A vacina é só para São Paulo?

  • Como fica a CoronaVac?

Em que estágio está o estudo da ButanVac?

Até o momento, foram feitos estudos pré-clínicos da vacina, ou seja, apenas em animais. Nesta sexta, o Butantan vai enviar à Anvisa o pedido de autorização para iniciar os testes em pessoas. Também serão enviados documentos referentes à vacina para a Organização Mundial da Saúde.

O objetivo é que, em abril, com a autorização da Anvisa, o Butantan possa começar a nova etapa de testes, com as fases 1 e 2.

Quem pode se voluntariar para os testes?

Segundo o Instituto Butantan, serão 1.800 voluntários nas fases 1 e 2. Na fase 3, 9 mil pessoas devem participar. A ideia é que participem cidadãos que ainda estão fora do Plano Nacional de Imunização.

“No primeiro momento, serão adultos, acima de 18 anos, e podemos abrir o voluntariado para aqueles que não estão sendo vacinados pelo Programa Nacional”, afirmou Dimas Covas.

Quando a vacina começará a ser aplicada?

Caso os planos do Butantan se concretizem, a vacina pode começar a ser aplicada em julho de 2021. Segundo Dimas Covas, a celeridade do processo é possível porque o Instituto sabe mais sobre o coronavírus do que sabia quando começou a testar e produzir a CoronaVac, por exemplo.

“O que leva a nós termos esse cronograma é a experiência adquirida, inclusive com o estudo clínico da CoronaVac”, disse Covas durante coletiva de imprensa nesta manhã. Em julho, o Butantan pretende ter 40 milhões de doses da ButanVac.

Quantas doses terá a ButanVac?

O número de doses necessárias para a imunização completa com a ButanVac só será definido após os testes clínicos da vacina. No entanto, Dimas Covas afirmou que o imunizante apresentou bons resultados imunogênicos, ou seja, boas respostas imunológicas.

Com isso, o Butantan não descarta a possibilidade de que a ButanVac será aplicada em dose única.

A vacina é só para São Paulo?

Não, a ButanVac, se autorizada, será repassada ao governo federal para que seja usada no Plano Nacional de Imunização. “São Paulo faz parte do Brasil”, disse o governador João Doria. “A opção é salvar os brasileiros.”

Além disso, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, ainda cogitou a possibilidade de exportar a vacina, depois que o Brasil for atendido.

"Nosso compromisso é fornecer essa vacina para países de renda baixa e média. Porque é lá que nós precisamos combater a pandemia. Se o mundo rico combate porque tem recursos, e vai ficar relativamente livre do vírus, os países com renda baixa ou média, que tem dificuldades para obter recursos, vai continuar com a pandemia", explicou Covas.

Como fica a CoronaVac?

A CoronaVac continuará sendo produzida normalmente pelo Instituto Butantan. Até 30 agosto, o governo do estado de São Paulo entregará um total de 100 milhões de doses da vacina produzida em parceria com a SinoVac.

A ButanVac e a CoronaVac serão produzidas em fábricas diferentes, por isso, não haverá qualquer tipo de interferência, segundo o Butantan. “Essa vacina [ButanVac] será produzida em uma outra fábrica, não é a fábrica que está sendo reformada para produção da CoronaVac. É uma fábrica usada para a vacina da gripe, e vai começar a ser produzida em maio, logo após a campanha da gripe”, relatou Covas.

Além disso, Doria não descartou a compra de outras vacinas, de outros laboratórios.