Doria diz que polícia vai investigar vandalismo em votação da Previdência de SP

LAÍSA DALL'AGNOL
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 26/01/2020 - o governador de São Paulo João Doria antes do Ato Solene em Memoria as Vitimas do Holocausto, na sinagoga Etz Chaim. (Foto: Greg Salibian/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou, nesta quinta-feira (5), que a Polícia Civil vai investigar atos de vandalismo praticados na Alesp (Assembleia de São Paulo) durante votação da reforma da Previdência estadual.

"Solicitei que identifiquem e punam os vândalos fantasiados de manifestantes que depredaram a Assembleia e agrediram policiais. As imagens estão sendo submetidas ao sistema de reconhecimento facial da Polícia", publicou em sua conta do Twitter.

Durante cerimônia no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual, Doria também elogiou os 59 deputados que votaram a favor da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Previdência.

"Fizeram aquilo que tinham que fazer para defender os brasileiros de São Paulo e aprovaram a Previdência na Assembleia Legislativa, não obstante as ameaças, as agressões, as intimidações", declarou.

A Alesp informou que já foram contabilizados R$ 200 mil de prejuízo ao patrimônio. Na última terça (3), durante disucssão da PEC da Previdência dos servidores, manifestantes forçaram a entrada no Palácio 9 de Julho e na galeria do plenário, onde acontecia a votação.

Objetos como biombos, vidraças, cadeiras, lixeiras e hidrantes foram danificados e até atirados por manifestantes contra paredes, portas e policiais.

A Tropa de Choque, da Polícia Militar, teve que intervir durante a confusão e o quebra-quebra.

Procurada, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) ainda não havia confirmado o andamento da investigação e nem o balanço de policiais feridos até a conclusão deste texto.

Na terça (3), o presidente da Alesp, deputado Cauê Macris (PSDB), afirmou em coletiva com jornalistas que o vandalismo foi realizado por "black blocks" e que a ação já era monitorada por meio de redes sociais desde o dia anterior em conjunto com a inteligência da polícia.

"As pessoas que vieram aqui hoje colocar de forma legítima suas posições, sejam elas contrárias ou favoráveis à reforma, assistiram a um palco de depredação por parte de alguns poucos 'black blocks' e vândalos", disse na ocasião.

O presidente da Alesp disse ainda que as portas de acesso foram fechadas porque o plenário da Casa já estava lotado. "Começaram a tentativa de invasão do plenário, que não cabia mais tecnicamente nenhuma pessoa. Os 300 lugares já estavam ocupados."

Servidores e deputados criticaram a ação da polícia e afirmam que vão tomar providências contra supostos excessos cometidos.

"Vou acionar o Ministério Público Estadual contra a presidência da Casa, porque foi quem ordenou a Tropa de Choque aqui na Assembleia. E vou entrar também com requerimento na Corregedoria da Polícia Militar, para que haja investigação sobre os excessos da Tropa de Choque e da Polícia Militar", disse o deputado Carlos Giannazi (PSOL) ao Agora.

Sobre a declaração do deputado, a assessoria da Presidência da Alesp não se manifestou.

A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP) afirma que também vai entrar com representação na Corregedoria e Comando da PM.

"Esbanjaram autoritarismo e truculência contra aqueles que lutavam pelos seus direitos. Como se não bastasse, agora tentam jogar a culpa de toda aquela barbárie nos servidores, que foram covardemente atacados", disse a presidente da entidade e deputada estadual Professora Bebel (PT).

A tramitação da reforma da Previdência do estado de São Paulo terminou na quarta (4), com a aprovação do texto complementar da proposta pela maioria dos deputados.

De acordo com a comunicação da Alesp, a PEC, aprovada no dia do confronto entre manifestantes e policiais, teve a redação aprovada pela CCJR e deverá ser promulgada pela Mesa Diretora nos próximos dias.

Já o PLC (proposta de lei complementar), que também teve redação aprovada pela CCJR, será encaminhado ao governo estadual, que terá 15 dias para sancioná-lo.