Doria diz que vai votar nulo no 2º turno entre Lula e Bolsonaro

Ex-governador de São Paulo, Doria declarou que vai votar nulo para não apoiar nem Lula nem Bolsonaro no 2º turno das eleições. (Foto: REUTERS/Carla Carniel)
Ex-governador de São Paulo, Doria declarou que vai votar nulo para não apoiar nem Lula nem Bolsonaro no 2º turno das eleições. (Foto: REUTERS/Carla Carniel)

O ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB) declarou que vai anular o voto no segundo turno para não apoiar nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputam o Palácio do Planalto na segunda etapa do pleito.

"[Não vou] nem de Lula, nem de Bolsonaro", disse Doria. "O meu voto será o da neutralidade. Meu voto será nulo. Não faço ataques nem a um lado, nem ao outro”, respondeu, nesta terça-feira (4), em entrevista ao UOL News.

"Eu respeito as opções de cada eleitor, esse é um processo democrático. Há de se respeitar as posições e não contestar, muito menos intimidar decisões de quem vai votar em Lula ou em Bolsonaro", completou.

Doria reforçou que o PSDB deve anunciar seu apoio para o segundo turno ainda nesta terça. Ele indicou que os estados serão liberados para instruírem o voto.

Questionado sobre críticas passadas ao presidente Bolsonaro, o político reiterou o posicionamento, mas acrescentou aversão ao que classificou de ‘falta de comportamento moral’ dos governos Lula.

"Reafirmo as críticas que fiz a Bolsonaro e as mantenho integralmente. Não mudei a minha posição em relação àquilo que de mal fez o governo Bolsonaro, e não foi apenas no tema da saúde, mas também no âmbito econômico e social. É um governo errático em praticamente todas as suas áreas", disse.

"Mas mantenho também a visão crítica em relação aos governos passados, de Lula, em relação à falta de comportamento moral e de lisura no tratamento do dinheiro público. Por isso que a minha posição é de neutralidade neste momento", completou.

Na entrevista, Dória lembrou que não concorreu à presidência por decisão do partido dele e assumiu que a legenda saiu menor do pleito.

"Venci [as prévias] e não levei porque a ponderação feita pela executiva nacional é de que comigo não haveria nem a manutenção, nem o aumento da bancada federal na Câmara e no Congresso."

"Houve uma redução de 41% da bancada, ou seja, o PSDB ficou muito menor", destacou o tucano. Foi a primeira vez que a agremiação não concorreu à Presidência. Além disso, nenhum dos quatro candidatos a governos estaduais pela legenda saíram vitoriosos. Um deles é São Paulo, onde nomes da legenda foram sequencialmente eleitos desde 1994.

"Infelizmente, [o PSDB] perdeu a hegemonia em São Paulo depois de quase 30 anos à frente do governo. A seguir nesse ritmo, o PSDB tende a desaparecer, o que seria uma pena", disse o ex-governador paulista.