Doria diz querer vacinação imediatamente após aprovação da Coronavac no próximo domingo

ALINE MAZZO E ARTUR RODRIGUES
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  21-10-2020 - O governador de São Paulo João Dória (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 21-10-2020 - O governador de São Paulo João Dória (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira (13) esperar que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorize o uso emergencial da vacina Coronavac, no próximo domingo (17), por uma questão humanitária. Ele afirmou que o imunizante deve ser disponibilizado imediatamente após a aprovação.

A afirmação foi feita durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para tratar sobre medidas de combate ao coronavírus —na qual foi anunciada antecipação da reclassificação da quarentena no estado. Doria e o governo Jair Bolsonaro (sem partido) travam uma corrida sobre quem irá vacinar inicialmente.

O Ministério da Saúde avalia marcar o início da imunização contra a Covid em um evento no Palácio do Planalto na próxima terça (19) com governadores.

Inicialmente, Doria havia anunciado início da vacinação no estado para o dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. O governo federal, porém, citou a possibilidade de iniciar o programa de vacinação no dia 20 e, agora, cogita fazer no dia anterior.

No domingo, haverá uma reunião para avaliação das vacinas na Anvisa, onde deverá ser decidido se haverá liberação dos imunizantes em caráter emergencial.

"A vacina do Butantan atende plenamente. E atendendo plenamente ela deve ser colocada imediatamente após a aprovação da Anvisa para a vacinação dos brasileiros", disse ao se referir à eficácia geral da imunizante anunciada nesta terça-feira (12), de 50,83%

"Aproveito para dizer aqui para desejar, esperar que a Anvisa cumpra o seu dever científico, mas cumpra também seu dever humanitário no próximo domingo. E libere as duas vacinas, a vacina da Astrazeneca e a vacina do Butantan", disse.

Após a coletiva, Doria também lamentou afirmação de Bolsonaro ironizando a Coronavac. "Lamentável a declaração do presidente Bolsonaro sobre a vacina do Butantan. Ao invés de comemorar o fato do Brasil ter um imunizante seguro e eficaz para combater a pandemia, ele ironiza a vacina. Enquanto brasileiros perdem vidas e empregos, Bolsonaro brinca de ser presidente", escreveu.

Durante o evento, membros do Centro de Contingência do Cornavírus voltaram a falar sobre a eficácia geral da Coronavac, imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, de 50,38%.

Dimas Covas, diretor do Butantan, indicou que o percentual geral de eficácia da Coronavac é menor pois os testes não foram feitos com na população em geral, mas com profissionais da saúde que estão altamente expostos ao contágio pelo coronavírus.

"Acho que ainda não houve uma compreensão exata em relação a essa eficácia. Eficácia entre estudos diferentes não são comparáveis. Para compararmos poderíamos ter o mesmo desenho, a mesma população alvo. Quando comparamos com estudos assemelhados, a vacina Sinovac na população geral na Turquia teve 91% de eficácia", diz.

O presidente do Butantan ainda destacou que a eficácia da Coronavac no paí , quando aplicada na população geral, terá resultados semelhantes ao da Turquia.

Já João Gabbardo, secretário-executivo do comitê de controle da pandemia, afirmou que a vacina da Sinovac possibilitará uma imunização mais rápida na população. Segundo ele, em quatro dias o estado deve vacinar 2,4 milhões de pessoas, o que corresponderia a 40 dias de vacinação no Reino Unido.

Gabbardo ainda afirmou não ter dúvidas de que a Anvisa irá aprovar a vacina desenvolvida no estado.

QUARENTENA

Com a piora nos índices, o governador que a reclassificação do Plano São Paulo, programada para 5 de fevereiro, será antecipada para a próxima sexta-feira (15).

Segundo o secretário de estado da Saúde, diante da alta de internações, casos e óbitos, é preciso garantir que o vírus circule menos, reduzindo a movimentação das pessoas.

Atualmente, as regiões de Registro, Presidente Prudente, Marília e Socorro —que corresponde a 10% da população do estado— estão na fase laranja (a segunda mais restritiva). Já o restante de São Paulo segue na fase amarela.

No último dia 7, o governo do estado alterou os parâmetros do Plano São Paulo, dificultando a migração para a fase verde, mas flexibilizando o funcionamento de atividades na fase laranja. Além disso, a nova versão do plano tem como alvo a redução do lazer noturno, reduzindo horário de abertura de bares.

EDUCAÇÃO

A gestão Doria ainda anunciou que fornecerá 750 mil chips com dados para alunos e colaboradores das escolas estaduais paulistas usarem a internet e R$ 2.000 para cada professor comprar seu próprio computador.

O programa, batizado Conecta Educação, servirá aumentar a conectividade de alunos e professores durante a pandemia de Covid-19. "São 500 mil chips para os alunos que mais precisam e 250 mil para os colaboradores", detalhou o secretário estadual da Educação, Rossielle Soares.

Segundo o governo, também serão comprados 356 mil computadores e tablets para uso nas escolas.

De acordo com o governo, o investimento é de R$ 1,2 bilhão na compra de equipamentos.

O secretário de estado da Educação, Rossieli Soares, ainda afirmou que o estado está pronto para o retorno às aulas presenciais, previsto para 1º de fevereiro, e ameaçou recorrer à Justiça caso algumas prefeitura não apresentem "justificativas epidemiológicas" para iniciar o ano letivo na data estipulada.

Nesta terça (12), as sete cidades da região do ABC anunciaram que vão adiar a retomada das aulas. Segundo o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, as escolas particulares poderão reabrir em 18 de fevereiro e as publicas, somente em 1º de março. Os municípios afirmam que tomaram a decisão com base no plano estadual de vacinação.

"Se necessário vamos judicializar. Por que autorizaram iniciativa privada e não pública? Qual é a justificativa. Parece que não estão prontos, enquanto nós estamos prontos para o retorno", disse Rossieli.

O secretário voltou a explicar que as aulas serão retomadas na rede estadual em sistema de rodízio, com a presença de alunos até duas vezes por semana nas escolas, para que todos estudantes possam ser recebidos. Após duas semanas, começa a valer o percentual de ocupação máxima das salas, definido pela fase do Plano São Paulo.

"O aluno vai uma ou duas vezes, entrega e recebe materiais para continuar no centro de mídias ou na TV. E recebe materiais. Nas duas primeiras semanas, mesmo naquela de qualquer cor [da fase do Plano São Paulo], vamos voltar com no máximo um terço, porque vamos focar no acolhimento, na formação

dos estudantes para que aprendam comportamento."