Doria e Eduardo Leite criticam apoios rivais, mas concordam sobre terceira via

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A noite anterior à definição das prévias do PSDB entre João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) foi marcada, neste sábado (20), por críticas a respeito de apoios recebidos pelo rival e por discurso convergente na defesa da união do partido e do diálogo com os demais presidenciáveis da terceira via.

Tanto Doria quanto Leite promoveram, em Brasília, jantares com políticos e militantes para demonstrar apoio e encerrar a campanha. O presidente do PSDB, Bruno Araújo, compareceu ao evento de ambos.

Se publicamente os discursos são convergentes, nos bastidores a briga voto a voto segue até o fechamento das urnas, às 15h de domingo (21). A cúpula do partido avalia que o resultado é imprevisível e que a diferença será pequena —o que dificulta a unidade interna no dia seguinte.

Também concorre nas prévias, mas sem chance de vencer, o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio.

A votação ocorre de forma presencial para cerca de 700 políticos do PSDB com mandato, que poderão votar em urna eletrônica durante um evento na capital federal.

Na programação do evento, está prevista uma homenagem ao ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB), morto em maio. Os demais 44 mil filiados e vereadores votarão por meio de aplicativo, das 7h às 15h. O vencedor deve ser divulgado no fim da tarde.

A larga vantagem de Doria entre filiados e o peso de 35% do estado de São Paulo na disputa dificultam a situação para Leite, que precisa de uma porcentagem expressiva de dissidências paulistas para terminar à frente. Neste sábado, o paulista e o gaúcho se disseram confiantes da vitória.

Em sua fala a apoiadores, Leite fez críticas duras a Doria, ainda que sem mencioná-lo. "O sentimento do PSDB raiz é maior do que qualquer tipo de pressão que se possa fazer", afirmou, em referência aos relatos de que prefeitos e vereadores de São Paulo que apoiam Leite são alvo de retaliação.

O caso mais exemplar é a demissão do então secretário de Habitação do município de São Paulo, Orlando Faria, após declarar voto em Leite.

"Não é só o aplicativo que não pode ser hackeado, é o nosso partido que não pode ser hackeado. Quando ofertas indevidas são feitas para levar votos, é o nosso partido que está sendo hackeado. Se alguém votar nessa eleição sob pressão, é o nosso partido que está sendo invadido", completou o governador gaúcho.

Embora Doria não tenha feito críticas ao rival em sua entrevista à imprensa, a sua campanha também reagiu neste sábado ao que considerou uma quebra da imparcialidade das prévias —o anúncio de apoio a Leite por parte de dois coordenadores do processo, o senador José Aníbal (SP) e o ex-deputado Marcus Pestana (MG).

"Impressionante. As raposas estavam dentro do galinheiro. O presidente e o coordenador da Comissão de Prévias, que elaboraram as regras (alteradas sempre com o jogo em andamento) e julgaram recursos, ainda documentam a vergonha imposta ao PSDB. [...] É debochar na cara dos filiados do PSDB", declarou Wilson Pedroso, coordenador da campanha de Doria.

Em entrevista, Doria também alfinetou Aníbal, que concorreu contra o governador nas duas prévias vencidas por ele, em 2016 e 2018. "Talvez ele receba sua terceira derrota em menos de seis anos em prévias", afirmou.

Embora preguem unidade a partir de segunda (22), nem Doria nem Leite definiram papel para o rival em uma eventual campanha à Presidência pelo PSDB. Auxiliares dos governadores afirmam que tudo vai depender das conversas futuras e do empenho de cada um em relação ao projeto do rival vencedor.

Em relação à formação de equipe e plano de governo, Doria afirmou que não terá um "posto Ipiranga" na economia como Jair Bolsonaro, que deu esse papel a Guedes. Recentemente, o ex-ministro Sergio Moro (Podemos) anunciou Affonso Celso Pastore como conselheiro na área da economia.

Doria disse que fará diferente de ambos se vencer as prévias e concorrer ao Planalto.

"Vamos ter uma equipe. Seja qualquer vencedor eu recomendarei ao PSDB não tenha um mandarim da economia, mas uma equipe. Nada diferente do que FHC, que quando criou o Plano Real, o fez com um grupo de economistas", afirmou.

Questionado sobre o mesmo tema, Leite também afirmou que vem se reunindo com uma série de economistas e que é importante montar um time de alto nível. Ele citou Aod Cunha, Persio Arida, Elena Landau, Arminio Fraga e Edmar Bacha.

"O governante não pode simplesmente delegar ao 'posto Ipiranga' achando que outros irão resolver", disse Leite.

Leite e Doria, em seus respectivos eventos, afirmaram que irão procurar conversar com os demais presidenciáveis da terceira via e citaram Moro, Rodrigo Pacheco (PSD), Simone Tebet (MDB) e Alessandro Vieira (Cidadania).

Enquanto Leite afirma que, se não for candidato ao Planalto, não disputará a eleição de 2022, nem como vice, e fará campanha para o nome da terceira via, Doria disse não descartar nenhum tipo de composição de chapa.

"É entrar sem prerrogativas, com diálogo com outros partidos. Isenção, humildade e entendimento. Essa será nossa conduta", disse o governador paulista.

Leite afirmou não haver problema em construir a candidatura em torno de outro nome, mas salientou que talvez seu papel seja melhor como líder do projeto da terceira via.

Questionados sobre o futuro do partido, Doria afirmou que a sigla não sairá fragmentada e enfraquecida, pelo contrário, sairá fortalecida. Leite disse que haverá maturidade para construir a unidade.

Em busca de convencer militantes, Leite afirmou ter menos rejeição e mais viabilidade eleitoral do que Doria. Já o governador paulista tem como vitrine suas políticas públicas em São Paulo, como escolas integrais e programas sociais, além da viabilização da vacina contra a Covid-19 no país.

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