Doria e Eduardo Leite se encontram e discutem relação em meio ao racha no PSDB

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 09.10.2018 - Os ex-governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 09.10.2018 - Os ex-governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os ex-governadores do PSDB João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) se encontraram nesta terça-feira (19) para discutir a relação entre eles em meio ao acirramento da divisão interna no partido -ambos buscam se cacifar para disputar a Presidência da República pela sigla.

O encontro foi visto como um aceno para uma tentativa de pacificação interna. A reunião foi um pedido de Leite, que está em São Paulo. Mais cedo, o gaúcho se reuniu com o ex-presidente Michel Temer (MDB) na tentativa de viabilizar seu nome entre os partidos da chamada terceira via.

Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, Doria e Leite estão em campanhas paralelas -buscando encontros com aliados e planejando viagens pelo país. O gaúcho perdeu as prévias para Doria, mas quer virar o jogo até a convenção do partido, em julho ou agosto.

De acordo com tucanos ouvidos pela reportagem, Leite buscou Doria num gesto de reconciliação e na tentativa de manter diálogo, mas também pediu ao paulista espaço nas peças publicitárias do partido.

Doria reconheceu o aceno do rival interno, mas afirmou a ele que insistirá em sua candidatura e que pode, inclusive, judicializar a questão. A coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, mostrou que aliados de Doria citam o artigo 152 do estatuto do partido, que diz que "os candidatos vencedores em eleições prévias terão seus nomes homologados nas convenções convocadas para esse fim".

Segundo tucanos, o gaúcho declarou que o ideal seria evitar a briga na Justiça e que, caso o projeto presidencial não dê certo, ele ainda pode concorrer ao Governo do Rio Grande do Sul, enquanto o PSDB já tem outro candidato em São Paulo, o governador Rodrigo Garcia.

O racha se agravou nos últimos dias, depois que aliados de Doria resolveram retirar o presidente do PSDB, Bruno Araújo, da coordenação da campanha. Araújo reagiu ironicamente, com um "ufa", e afirmou em redes sociais que nunca quis o posto.

Segundo nota divulgada pela equipe do ex-governador paulista, Araújo "relativizou a candidatura de Doria" em declarações recentes e, "essa postura, considerada pouco agregadora, motivou a decisão". O presidente do PSDB-SP, Marco Vinholi, assumiu a coordenação.

A troca ocorreu depois de declarações de Araújo indicando que a candidatura de Doria não estava garantida. Os aliados do ex-governador entendem que a vitória nas prévias e a carta do presidente do PSDB reconhecendo esse resultado seriam suficientes para enterrar as pretensões de Leite.

Araújo, no entanto, repetiu em algumas ocasiões que a candidatura de Doria depende de que os partidos da terceira via o escolham como presidenciável -cenário que hoje é improvável. Doria pontua apenas 2% no Datafolha e tem alta rejeição.

PSDB/Cidadania, MDB e União Brasil decidiram apresentar um candidato único até o dia 18 de maio. Esse acerto é visto entre os estrategistas de Leite como o fato novo que pode enterrar as prévias e recolocar seu nome na mesa -o gaúcho reivindica ser mais agregador que Doria.

Depois de Araújo defender o acordo da terceira via como algo acima das prévias e ser substituído da coordenação da campanha de Doria, militantes do PSDB promoveram um tuitaço contra ele. Outra ala do partido respondeu com um tuitaço contra Doria.

Ainda no começo deste mês, Araújo afirmou que existe forte oposição interna na sigla à candidatura de Doria e que o comportamento de Leite, de fazer campanha apesar das prévias, é do jogo político e não poderia ser impedido.

O desentendimento entre Araújo e Doria foi lido pela ala alinhada a Leite como mais um sinal do isolamento do ex-governador paulista dentro do partido, já que sua campanha não teria o endosso nem do presidente da sigla.

Já aliados de Doria entendem que Leite dá sinais de desespero ao tentar reconstruir pontes com o paulista. Para eles, o saldo da mobilização da militância foi negativo para o gaúcho, que levou novo golpe nesta terça -o presidente do MDB, Baleia Rossi, afirmou ao UOL que o partido considera Doria como nome do PSDB.

Enquanto tucanos descreviam um cenário de implosão da legenda, Doria e Araújo conversaram por telefone, na segunda-feira (18), para acertar um armistício.

Na conversa, intermediada pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP), Araújo e Doria acertaram que o presidente da legenda seguirá sendo o responsável pelas conversas com União Brasil, MDB e Cidadania, para buscar um nome único da terceira via até maio.

"Agora ambos irão cuidar do projeto nacional do PSDB. Ânimos serenados e bola para a frente", disse Sampaio à coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Tanto Leite quanto Doria seguem em campanha. Na segunda, Leite se encontrou com Paulinho da Força, presidente do Solidariedade. A conversa foi mediada pelo deputado Aécio Neves (PSDB-MG), principal aliado interno de Leite e que acabou escondido na foto do encontro publicada pelo gaúcho.

Nesta quarta (20), Leite vai ao Ceará, onde encontrará o senador Tasso Jereissati, seu aliado. Doria, por sua vez, também começou seu giro pelo país no Nordeste. O paulista esteve na Bahia no início deste mês.

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