Doria e Eduardo Leite trocam críticas em debate tenso nas prévias do PSDB

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  09-10-2018, O candidato ao governo de SP João Dória (PSDB) cumprimenta o candidato ao governo do RS Eduardo Leite durante reunião da executiva do partido, na sede do PSDB em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 09-10-2018, O candidato ao governo de SP João Dória (PSDB) cumprimenta o candidato ao governo do RS Eduardo Leite durante reunião da executiva do partido, na sede do PSDB em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O segundo debate entre os candidatos das prévias presidenciais do PSDB, nesta sexta-feira (12), foi marcado pelo embate direto e por alfinetadas entre os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), que têm chances de vencer a disputa interna no próximo dia 21.

O debate foi promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo. O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio também participa das prévias, mas sem chances de vitória. No debate, ele procurou ser um contraponto aos governadores, mas foi mais incisivo nas críticas a Leite.

Em relação ao primeiro debate das prévias, promovido pelo jornal O Globo em 19 de outubro, o clima foi mais tenso. No primeiro encontro, houve risadas, tratamento cordial e alfinetadas implícitas.

Desta vez, os ataques foram diretos. Leite acusou Doria de constranger prefeitos e vereadores de São Paulo a votarem no paulista nas prévias, inclusive usando os convênios do governo com as prefeituras como moeda de troca.

O gaúcho mencionou ainda a demissão do secretário de habitação da capital paulista, Orlando Faria, que declarou voto em Leite.

Doria se esquivou do tema, afirmando que Leite estava "nervoso e tenso". "Ver meu partido eventualmente sendo alvo de constrangimento para votação numas prévias me deixa tenso, nervoso e preocupado. [...] Eu não aceito que haja qualquer tipo de constrangimento nas prévias", rebateu Leite.

O gaúcho explorou a fama de Doria dentro do partido, de ser um político que impõe sua vontade.

"Essa decisão do PSDB nas prévias é sobre ter um PSDB que vai virar a cara de um dos candidatos ou se vai ser o candidato que vai ter a cara do PSDB, o jeito do PSDB. Eu quero muito, no ano que vem, um candidato com a cara do PSDB pra gente mudar o Brasil, mas garantir o PSDB ligado ao seu DNA", afirmou Leite.

O governador gaúcho ainda fustigou Doria ao lembrar de uma gafe do paulista, que, em campanha na Paraíba, perguntou quem da plateia já havia visitado Dubai e ouviu risos como resposta.

"Quem é que tem capacidade para se comunicar com a população, para falar com aquele povo que não consegue ir a Dubai, por exemplo", provocou Leite.

Doria, por outro lado, afirmou: "Não quero ser palatável, quero ser confiável".

"Não quero ser conveniente. A conveniência gerou isso que estamos vendo aí. Eu estava no front, defendendo a vacina, estava em Dubai, como estava na China, buscando a vacina. Isso que marca nossa diferença, Eduardo, eu sigo sendo respeitoso a você, mas as minhas decisões são pelo Brasil", completou.

Leite e Doria também discutiram a respeito da votação da PEC dos Precatórios, em que parte da bancada dos deputados federais do PSDB votou a favor da medida do governo Jair Bolsonaro (sem partido) mesmo após a sigla ter definido que será oposição à atual gestão federal.

Doria lembrou que os deputados federais de São Paulo votaram contra a proposta, enquanto os deputados do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais, estados protagonistas na campanha de Leite, votaram sim.

"Quero registrar que os sete deputados de São Paulo votaram contra [a PEC] e a favor do povo brasileiro. [...] O PSDB é um partido de oposição, não de adulação", afirmou Doria.

Leite, então, questionou o paulista se os deputados federais que o apoiam nas prévias, mas votaram sim, seriam irresponsáveis.

"Os três parlamentares que coordenam sua campanha, Aécio Neves [MG], Paulo Abi-Ackel [MG] e Rodrigo de Castro [MG], votaram a favor do governo de Bolsonaro. Eu respondo por São Paulo", rebateu Doria.

Cobrado pelo voto de seus apoiadores, Leite afirmou liderar os deputados da Assembleia do Rio Grande do Sul, mas não os federais, e criticou Doria por ter usado o verbo "comandar" em relação aos deputados.

"Eu busco convencer com argumentos, sem fazer ofertas indevidas", disse Leite, em uma provocação a Doria. O gaúcho afirmou ainda que sua relação com o Legislativo é pautada no diálogo, "sem mensalão, sem rachadinha", em crítica ao ex-presidente Lula (PT) e Bolsonaro.

Doria, porém, afirmou que faltam argumentos a Leite, já que os deputados gaúchos votam a favor de Bolsonaro "há vários meses". Virgílio também criticou os votos da bancada tucana a favor da PEC e cobrou que Leite traga seus apoiadores para a oposição de fato.

"Se você lidera a bancada estadual, tem que liderar a federal também. Não deixe que lhe preguem na face a fama de bolsonarista. Isso não é justo e nem digno de você, dos seus companheiros e nem do seu partido", afirmou Virgílio a Leite, reiterando ser "grave" que deputados da confiança do gaúcho tenham votado a favor de uma imoralidade.

Doria também afirmou que as emendas de relator de Bolsonaro, que são moeda de barganha nas votações, são uma prática "execrável e condenável".

"Aqui em São Paulo temos uma relação soberana, tranquila e transparente com a Assembleia Legislativa. Não compramos deputados, dialogamos com deputados, todos eles, da nossa base e de oposição. Respeito pela democracia, pela Constituição e pela transparência", disse o governador paulista.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou neste ano que a gestão Doria não é transparente em relação às emendas pagas aos deputados. Depois de analisar mais de 5.000 folhas de papel, a reportagem mostrou que o tucano privilegiou deputados da base e que os que votaram a favor da reforma administrativa receberam verba, enquanto opositores ficaram à mingua.

No debate, Leite também afirmou ser mais viável eleitoralmente do que os seus adversários tucanos, lembrando que Doria perdeu na capital, onde foi prefeito, a eleição para governador em 2018. O paulista, por sua vez, afirmou ter vencido duas eleições em três anos.

Os dois governadores também trocaram críticas em acenos a nomes históricos do PSDB.

Ao falar sobre a ampliação das escolas de tempo integral em sua gestão, Doria afirmou: "Em 16 anos dos meus antecessores, nós tivemos apenas 363 escolas de tempo integral, eu não os critiquei, até elogiei por terem feito, mas achava que era pouco".

Ao responder sobre saúde, Leite lembrou o legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que apoia Doria nas prévias, e do senador José Serra, cujo voto está em disputa. Também falou do ex-governador Geraldo Alckmin, que apoia o gaúcho e se tornou um desafeto de Doria.

"Serra é um dos antecessores aqui que às vezes são diminuídos. Que bom que ele resolveu tantos problemas no estado de São Paulo, todos os antecessores, Serra, Alckmin, Mário Covas, para permitir que o governo atual consiga avançar mais rapidamente", afirmou Leite.

Durante suas respostas, Doria mencionou seus apoiadores de peso, como o ex-presidente FHC, a senadora Mara Gabrilli (SP) e a ex-governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius. Também fez um aceno ao ex-presidente Michel Temer (MDB).

Nas considerações finais, Doria falou de Franco Montoro e Mário Covas, mas sem mencionar Alckmin ou Serra. O governador paulista alfinetou Leite ao falar de sua relação com o ex-governador Covas.

"O Mário Covas, que alguns aqui se esquecem, eu trabalhei com Mário Covas, eu fui secretário do Mário Covas, portanto eu convivi com ele, enquanto outros sequer tiveram essa oportunidade", disse Doria.

Em relação a programas e investimentos em seus estados, a vitrine de Doria é mais robusta do que a do gaúcho.

Ao ser questionado sobre melhorias em saúde, educação ou outras áreas, Leite repete o discurso de que pegou seu estado quebrado e colocou as contas em ordem, enquanto Doria pôde fazer mais devido a seus antecessores tucanos.

De maneira geral, Leite e Doria concordaram com Virgílio em temas como combate ao desmatamento, compromisso com a sustentabilidade e revitalização da Zona Franca de Manaus. O ex-prefeito afirmou que o país precisa de um presidente que conheça a Amazônia e tenha experiência.

"Governo meu não tem garimpeiro matando índio, não tem grilagem de terras, não tem tem essa conversa de emenda de relator", disse Virgílio.

Ele defendeu ainda ser possível defender o liberalismo econômico com responsabilidade social e afirmou ser preciso retomar o tripé macroeconômico: responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante.

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