Doria e Pazuello se acertam para compra da CoronaVac

Ana Letícia Leão
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Fotoarena / Agência O Globo

SÃO PAULO - Após meses de embate político sobre a inclusão ou não da CoronaVac ao Programa Nacional de Imunização (PNI), o governo de São Paulo e o Ministério da Saúde começaram a acertar os próximos passos da vacinação com o uso do imunizante produzido entre a empresa Sinovac e o Instituto Butantan.Depois do anúncio ontem de que o órgão federal comprará 45 milhões de doses da vacina, o governador de São Paulo, João Doria, disse nesta quinta-feia que tem mantido conversas com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Segundo Doria, Pazuello se comprometeu a oficializar a aquisição da CoronaVac até esta sexta-feira (18).

— Ainda não recebemos nenhuma confirmação oficial sobre a compra das vacinas. Ontem,o ministro da Saúde me telefonou. Ele é sempre gentil e atencioso no tratamento por telefone, ou WhatsApp, mas ainda não estivemos pessoalmente juntos. Ele prometeu fazer o encaminhamento até amanhã do documento que propõe a aquisição das 45 milhões de doses em caráter permanente, irreversível e irretratável — disse o governador.Educação:São Paulo muda critério e confirma abertura de escolas em fevereiro de 2021

Doria lembrou que em outubro deste ano o ministro já havia solicitado a compra de doses da CoronaVac, mas foi desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro, e a aquisição acabou sendo desfeita.

— Já haviamos feito esse documento, apresentado pelo próprio ministro, no dia 20 de outubro, em uma reunião com 24 governadores. O ministro fez a apresentação, corretamente e, no dia seguinte, pela manhã, o presidente da República desautorizou o seu ministro da Saúde e disse que não compraria a vacina do Butantan, e usou dos demais impropérios que eu prefiro não repetir. Então nós precisamos ter um documento firme do Ministério da Saúde para aquisição das vacinas.

Também presente durante a coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, o diretor do Butantan, Dimas Covas, disse que esta semana foi marcada por "importantes avanços" em relação à CoronaVac.

— Recebemos uma nova correspondência reforçando o pedido que foi feito em setembro e, na sequencia, uma manifestação de que há interesse na aquisição dessa vacina, desde que autorizada pela Anvisa. No dia 15 de janeiro teremos prontas para uso emergencial 9 milhões de doses, 22 milhões no começo de fevereiro e 15 milhões em março. Esse é o cronograma solicitado pelo Ministério da Saúde esta semana.Vacina: Terceiro lote da CoronaVac chega a São Paulo nesta sexta-feira

Ainda de acordo com ele, haverá uma mudança no pedido de registro da CoronaVac, que também terá o uso emergencial solicitado.

— Antes íamos solicitar apenas o registro, mas agora, autorizada pela Anvisa, significa que foi incorporada a possibilidade do uso emergencial da vacina. Essa é uma outra boa notícia, visto que a Anvisa colocou prazo de dez dias para se manifestar sobre pedidos emergenciais. Essa definição é realmente importante e mostra que há um comprometimento da Anvisa na análise dos pedidos de uso emergencial.