Doria expõe documentos para provar que alertou há um mês sobre crise de “kit intubação”

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
SAO PAULO, BRAZIL - JANUARY 07: Governor of Sao Paulo Joao Doria looks on during a press conference to give updates about the effectiveness of CoronaVac vaccines developed by the Chinese laboratory Sinovac in partnership with the Butantan Institute on January 7, 2021 in Sao Paulo, Brazil. The government of Sao Paulo reported that the CoronaVac vaccine was 78% effective in clinical tests conducted in Brazil. For severe cases and deaths, the vaccine protection has reached 100%. The Butantan Institute intends to forward to the Sanitary Surveillance Agency (Anvisa) today the authorization request for emergency use and the definitive registration of the vaccine in the country. (Photo by Alexandre Schneider/Getty Images)
João Doria afirmou que governo de São Paulo vai buscar alternativas para compra de remédios no mercado internacional (Foto: Alexandre Schneider/Getty Images)
  • Governador João Doria expôs ofícios enviados ao governo federal, pedindo medicamentos do "kit intubação"

  • Primeiro documento foi enviado em 3 de março; nenhum foi respondido

  • Doria pretende tentar comprar medicamentos no mercado internacional

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), divulgou nas redes sociais os nove ofícios enviados ao governo federal, para requisitar mais medicamentos que fazem parte do “kit intubação”. Os remédios permitem que os pacientes com covid-19 não sintam dor durante o procedimento, nem tentem retirar o tubo involuntariamente. São Paulo teme que faltem medicamentos para tratar os pacientes que precisam de intubação

O primeiro foi enviado em 3 de março, endereçado ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “Venho por meio deste solicitar medidas expressas e urgentes do Ministério da Saúde para recompor os estoques de medicamentos utilizados em intubação nos hospitais que possuem leitos destinados para COVID-19”, diz o documento.

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No mesmo dia, um ofício foi enviado do Secretário Executivo da pasta, Elcio Franco Filho. O governo de São Paulo mandou outros dois documentos em 19 de março, também para Pazuello.

Ofícios enviados ao Ministério da Saúde foram divulgados pelo governador João Doria (foto: Reprodução)
Ofícios enviados ao Ministério da Saúde foram divulgados pelo governador João Doria (foto: Reprodução)

Em 24 de março, dois ofícios foram enviados ao novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e outros dois em 1º de abril. Todos eles pediam mais medicamentos do “kit intubação”.

O ofício mais recente foi em 13 de abril, quando o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorintchteyn, alerta para a possibilidade de colapso nos hospitais do estado. “Venho por meio deste reiterar a gravidade do cenário de abastecimento dos medicamentos que compõe o ‘kit intubação’ nos Hospitais que possuem leitos destinados para COVID-19 no âmbito do Estado de São Paulo, o qual encontra-se em pré-colapso”, escreve.

Gorinchteyn ainda diz que há mais de 40 dias formalizou “reiteradamente a este Ministério da Saúde solicitações de medidas expressas e urgentes dos estoques de medicamentos do ‘kit intubação’, sem sucesso e sem retorno aos 9 (nove) ofícios formalizados”.

Para João Doria, a falta de resposta por parte do governo federal foi “omissão e descaso do Governo Federal com a população”. O governador de São Paulo ainda afirmou que pretende buscar alternativas para compra dos medicamentos no mercado internacional.

“Faço um apelo aos Deputados Federais e Senadores de SP que verifiquem porque os 9 ofícios que enviamos ao Ministério da Saúde solicitando medicamentos para intubação foram ignorados. Enquanto isso, estamos adotando providências para adquirir os medicamentos no mercado internacional”, escreveu Doria nas redes sociais.

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Governo federal com dificuldades de comprar medicamentos

Diversos estados brasileiros já informaram que estão com falta de medicamentos que fazem parte do kit intubação. E o Ministério da Saúde está com a reserva desses remédios praticamente zerada. Por isso, a pasta está tentando comprar doses dos medicamentos necessários – mas enfrenta dificuldades.

Uma nota técnica do Ministério da Saúde do último dia 12, revelada pelo Estadão, mostra que a pasta tentou comprar remédios suficientes para seis meses. No entanto, só conseguiu adquirir 17% do contingente planejado.