Doria diz que vacinação em São Paulo começa em janeiro de 2021 e pede 'juízo e competência' ao governo

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Brazil's Sao Paulo state governor, Joao Doria, and director of Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, hold boxes of the China's Sinovac vaccine against the coronavirus disease (COVID-19) as a cargo plane containing the vaccines arrives at Sao Paulo International Airport in Guarulhos, Brazil November 19, 2020. REUTERS/Amanda Perobelli
Doria garantiu que a vacinação em São Paulo contra a Covid-19 começará em janeiro de 2021. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

O governador João Doria (PSDB) garantiu que o estado de São Paulo começará a vacinar a população contra o novo coronavírus a partir de janeiro de 2021. Doria cobrou do governo de Jair Bolsonaro “juízo e competência” para que o Ministério da Saúde inicie no mesmo mês seu programa nacional de imunização, previsto apenas para março do ano que vem.

Nesta quinta-feira (3), chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, mais um lote de insumos para a produção da CoronaVac. A vacina adquirida pelo governo paulista contra a Covid-19 é desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan.

“Até a 1ª quinzena de janeiro, teremos 46 milhões de doses da CoronaVac disponíveis para vacinar os brasileiros de São Paulo. E se o Ministério da Saúde tiver juízo, competência e a visão de que a vacina deve ser para todos os brasileiros, poderá oferecer também a vacina do Butantan para imunizar brasileiros de outros estados”, afirmou Doria.

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Na terça-feira (1º), o Ministério da Saúde explicou como irão funcionar os primeiros pontos da estratégia preliminar de vacinação contra a Covid-19, que deve começar em março.

De acordo com a pasta, o plano deverá ser dividido em quatro fases e vai começar pelos trabalhadores da área de saúde, a população idosa --acima de 75 anos ou com 60 anos ou mais que vivem em asilos e instituições psiquiátricas-- e a população indígena.

Doria criticou a previsão passada pela pasta do governo e a classificou como “grande irresponsabilidade do governo federal”.

“Sabe quantos brasileiros podem morrer por um atraso de 90 dias em uma vacina que poderia ser aplicada já em janeiro de 2021 em todo o país? Quase 60 mil vidas. Sessenta mil brasileiros podem morrer por uma grande irresponsabilidade de um governo ideológico, que não tem compaixão, não tem respeito pela vida, que é negacionista em relação à pandemia”, afirmou Doria durante entrevista coletiva sobre a pandemia realizada no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

PLANO ESTADUAL DE VACINAÇÃO SERÁ DIVULGADO DIA 7

O governador afirmou que apresentará na próxima segunda-feira (7) detalhes do plano estadual de vacinação em São Paulo. “Na próxima segunda, iremos apresentar o plano de vacinação para São Paulo, com o cronograma, os setores priorizados, quais regiões e áreas serão atendidas e o volume do número de vacinas”.

Doria afirmou que o programa, que já está pronto há 20 dias, só poderá ser aplicado a partir do dia 15 de janeiro por conta do prazo dado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para análise final da testagem da terceira fase da CoronaVac.

“Se o governo federal incluir São Paulo, como é seu dever e a sua obrigação, e incluir a compra da vacina. como é o seu dever e a sua obrigação, nós seguiremos o PNI (Programa Nacional de Imunização). Mas se não o fizer, São Paulo começa a vacinar a partir de janeiro a totalidade da população de São Paulo e com os recursos do governo estadual”, completou Doria.

No fim de novembro, Doria já havia dito que, caso o Ministério da Saúde não apresentasse um “plano sério e bem estruturado”, o estado de São Paulo irá elaborar um plano estadual próprio para vacinar a população paulista.

O uso da vacina CoronaVac, no entanto, só será possível quando o imunizante for aprovado e registrado pela Anvisa. A droga encontra-se na fase 3 de teste (a última antes da autorização).

A CoronaVac ganhou projeção ao entrar no centro de uma guerra política entre o presidente e o governador, prováveis adversários nas eleições presidenciais de 2022.

Bolsonaro esvaziou o plano de aquisição futura da Coronavac feito em outubro pelo seu próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, criticou o governador João Doria e disse que a vacina não era confiável por causa de sua origem. Neste mês, o presidente voltou atrás e declarou que poderia autorizar a compra da vacina produzida pela Sinovac, mas não pelo preço que um "caboclo aí quer".

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