Doria se contrapõe ao PT e propõe pacote para manter teto e reforma trabalhista

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    Empresário, jornalista, publicitário e político brasileiro, 37.º Governador de São Paulo
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.12.2021 - O governador e candidato à Presidência da República, João Doria (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 15.12.2021 - O governador e candidato à Presidência da República, João Doria (PSDB). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A equipe do presidenciável João Doria (PSDB) lançou nesta terça (11) um documento para se contrapor às posições econômicas até aqui apresentadas pelo PT do atual líder da corrida eleitoral pelo Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No texto, são defendidos o teto de gastos e a reforma trabalhista, objeto de críticas constantes de petistas. Na semana passada, Lula e a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, disseram que a mudança implantada em 2017 nas relações de trabalho poderia ser anulada.

Na sexta (7), Doria já havia reagido ao que chamou de "atrasão do PT", que seria a ideia geral de acabar com o arcabouço econômico implantado no governo de Michel Temer (MDB), que buscava equilibrar as contas do país após a recessão dos anos de Dilma Rousseff (PT), impedida em 2016.

Ao assumir o governo paulista, em 2018, Doria levou para sua Secretaria de Fazenda o arquiteto das reformas de Temer, o ex-ministro da área Henrique Meirelles, que fora presidente do Banco Central nos oito anos de governo Lula (2003-10).

Agora, Meirelles integra a equipe da campanha de Doria ao lado das economistas Ana Carla Abrão, Zeina Latiff e Vanessa Rahal Canado. O time assina o documento, que deve ser o primeiro de uma série acerca de temas que estarão colocados na disputa.

O tema do teto é complexo, já que há uma quase unanimidade entre economistas que ele precisa de revisão ante difícil situação fiscal do país. Doria faz seu "hedge" no texto, dizendo que "não existe regra perfeita".

Após fazer elogios ao teto, são apresentadas seis propostas para garantir sua exequibilidade até a revisão prevista em lei da norma, em 2026. A primeira é das mais polêmicas: revisão de emendas parlamentares, "que são pouco comprometidas com a qualidade do gasto público".

Como se sabe, as emendas, em sua versão anabolizada com controle total pelo comando da Câmara, são o esteio do apoio do centrão ao governo de Jair Bolsonaro (PL).

Doria também propõe rever políticas sociais ineficientes, citando o abono salarial e o seguro-defeso, fazer uma reforma administrativa, eliminar sobreposições entre FGTS e seguro-desemprego, melhorar a defesa jurídica da União para reduzir precatórios e auditar benefícios previdenciários.

Em relação à reforma trabalhista, novamente o documento a elogia antes de sugerir correções. Entre elas, reduzir custos trabalhistas, proteger empregados de aplicativos, fomentar formação profissional, fazer uma reforma sindical, revisar o sistema de benefícios que estimulam a rotatividade de mão de obra, proteção da renda dos informais e "aprimoramento da atuação do Sistema S".

O último item é politicamente espinhoso, e os outros se unem às sugestões liberais para manter o teto num leque de ideias que dificilmente serão aceitas pela esquerda numa campanha eleitoral --se podem virar realidade, como a aceleração das políticas do PSDB feita por Lula em seu primeiro mandato, é outra história

A ideia da equipe de Doria é sinalizar ao mercado financeiro que o tucano seguirá firme em uma ortodoxia econômica se eleito, mas já indicando caminhos para enfrentar questões práticas colocadas. Isso deixa o PT na defensiva.

A dita Faria Lima é refratária ao petista. O extenso favoritismo dele, contudo, tem obrigado analistas a estudar cada suspeita de rumo do ex-presidente na economia. A fala sobre as regras trabalhistas gerou preocupação pública até no principal cotado para ser vice de Lula, Geraldo Alckmin (ex-PSDB).

Além da ideia de revogação da reforma trabalhista e da revisão ou fim do teto de gastos, implementado em 2016, assustou o mercado o fato de que Guido Mantega foi escalado pelo PT para escrever um artigo para uma série que o jornal Folha de S.Paulo publicou com o pensamento econômico dos candidatos.

Lula percebeu o cheiro de queimado, dada a enorme resistência ao seu último ministro da Fazenda, condutor da crise sob Dilma, e na última hora determinou que fosse feito um adendo ao texto, dizendo que ele não refletia o pensamento da candidatura.

O estrago, contudo, estava feito.

Como Bolsonaro e seu antigo amuleto de confiabilidade no mercado Paulo Guedes (Economia) perderam o crédito que tinham na Faria Lima com a crise multifacetada que o Brasil enfrenta, Doria acredita que poderá capitalizar apoio nesse nicho se demarcar suas diferenças com o PT.

Um test-drive disso foi feito durante giro em Nova York no final do ano passado com grandes investidores, no qual esteve acompanhado por Meirelles e o discurso de que o teto de gastos estava sob fogo porque foi mal conduzido por Bolsonaro.

De outros pré-candidatos, como Sergio Moro (Podemos), pouco se sabe a essa altura além da crítica generalizada ao teto.

Segundo um estrategista do tucano, a ideia é tentar ganhar esse público de largada. Qual o impacto disso em intenção de voto, claro, é incerto. O tucano patina abaixo dos 5%, apesar de governar o mais poderoso estado da Federação.

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