Doria sofre derrota no PSDB, e prévias presidenciais terão menos peso para filiados

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.05.2021 - Governador de São Paulo, João Doria (PSDB). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 10.05.2021 - Governador de São Paulo, João Doria (PSDB). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O PSDB decidiu, em nova reunião da executiva nacional, nesta terça-feira (15), por 20 votos a 11, que as prévias presidenciais do partido serão por eleição indireta, com 25% de peso para filiados e 75% para mandatários.

A medida foi uma derrota para João Doria (PSDB). O governador de São Paulo defendia que a proporção fosse de 50% para filiados e 50% para mandatários. Seus aliados sugeriram 35% a 65%, proposta que perdeu na votação.

As regras das prévias presidenciais deveriam ter sido resolvidas na última terça (8), mas, diante de impasse entre propostas apresentadas, tucanos votaram por adiar a decisão em uma semana. Nesse período, a ideia era que Doria e seus adversários internos -Tasso Jereissati (CE), Eduardo Leite (RS) e Arthur Vírgilio (AM)- chegassem a um consenso.

Na última terça, a cúpula do PSDB aprovou por unanimidade somente a votação indireta com pesos entre filiados e mandatários, mas sem estabelecer os percentuais, o que abriu uma brecha para que Doria tentasse emplacar sua tese.

Apesar de terem mantido conversas ao longo da semana, os quatro tucanos chegaram à reunião sem convergência. Como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, Doria sinalizou que aceitaria qualquer regra, num ato de boa vontade que seria recompensado com um aumento da participação dos filiados.

Aliados de Doria pressionavam por maior peso dos filiados porque São Paulo concentra a maior fatia deles -cerca de 22% de 1,36 milhão, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os paulistas chegaram a propor, na reunião, que o peso dos filiados subisse para 35%, mas encontraram oposição de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Na reunião, Tasso e Leite defenderam a manutenção dos 25%, conforme foi desenhado por uma comissão tucana liderada pelo ex-senador José Aníbal (SP). O ex-presidente Fernando Henrque Cardoso também votou a favor da comissão.

A comissão estabeleceu, no dia 31 de maio, a votação indireta em quatro grupos, com peso de 25% para cada. A proposta precisaria ser aprovada pela executiva nacional, o que ocorreu nesta terça.

Os grupos são: um de filiados; um de prefeitos e vice-prefeitos; outro de vereadores, deputados estaduais e distritais; e o quarto grupo reúne governadores, vice-governadores, senadores, deputados federais, ex-presidentes e presidente do PSDB.

Por exemplo: no grupo um, o candidato A tem 60% dos votos e o B, 20%. Na conta final, o A soma 15% e o B, 5%.

Apesar da polêmica em torno da participação de filiados, a realidade é que uma pequena parcela será mobilizada com as prévias. Nas prévias estaduais de 2018, Doria teve 80% dos votos de cerca de 15 mil filiados -o total do estado na época era de aproximadamente 310 mil.

Membros do PSDB ouvidos pela reportagem consideraram, de forma geral, que as regras definidas pela comissão eliminam favoritismos e dão chance para que qualquer um dos quatro vença a eleição interna.

Uma terceira sugestão, feita pelo deputado federal Paulo Abi-Ackel (MG), de que dirigentes estaduais participassem do grupo 2 e não do 1, foi retirada. Nos bastidores, a proposta mineira era tida como uma medida patrocinada por Aécio Neves (MG) que prejudicaria Doria.

O governador paulista trabalhava, na verdade, pela votação universal e direta, proposta que foi enterrada pela comissão e pela executiva nacional.

No último teste de força na executiva, em 2019, para deliberar sobre o processo de expulsão de Aécio, a ala de Doria perdeu por 30 a 4.

Doria vem buscando se viabilizar dentro do partido, com conversas e jantares, e entre eleitores, com antecipação da vacinação e inaugurações no interior -mas encontra dificuldades. Doria é lembrado pelos seus pares por intervenções, atropelos, falta de articulação e erros políticos.

O principal óbice a ser contornado é a imagem de Doria, vista como excessivamente paulista e elitista pelas pesquisas qualitativas do próprio tucanato. A isso se soma a percepção de um político avesso aos códigos da política e com pouco traquejo em Brasília, corrente entre líderes de partidos potencialmente aliados.

Entusiastas da candidatura de Doria creem, contudo, que tudo isso é superável e apontam os ativos do governador, sendo a vacina o maior deles. Outro ponto favorável a Doria é a economia, que está em melhor forma em São Paulo, que deve crescer 6% este ano, ante talvez 4% do país.

De acordo com a deliberação da executiva, as prévias estão marcadas para 21 de novembro, com possível segundo turno em 28 de novembro. Enquanto Doria preferia a data divulgada pelo partido inicialmente, 17 de outubro, outros pré-candidatos e líderes do partido pressionavam pelo adiamento para o ano que vem.

A expectativa de tucanos é de que Doria, caso perca as prévias, saia do partido e busque ser candidato ao Planalto por outra sigla, o que explica sua pressa.

Já o motivo apresentado para o adiamento era a questão da pandemia, mas há, nos bastidores, esforços de parte da bancada da Câmara dos Deputados, grupo que incluí Aécio, para que o partido não lance candidato a presidente da República, medida que faria sobrar mais verba do fundo eleitoral para os parlamentares se reelegerem.

Por causa da pandemia, os tucanos devem votar por meio de um aplicativo, e estarão aptos todos os filiados até 31 de maio.

REGRAS DAS PRÉVIAS APROVADAS PELO PSDB

Colégio eleitoral de quatro grupos, com 25% de peso cada

1. filiados

2. prefeitos e vice-prefeitos

3. vereadores, deputados estaduais e distritais

4. governadores, vice-governadores, deputados federais, senadores, ex-presidentes do PSDB e o atual

Datas

20.set - inscrição dos candidatos

18.out - início dos debates

21.nov - primeiro turno

28.nov - segundo turno​

OS NÚMEROS DO PSDB

Prefeitos: 541 (201 em SP)

Vereadores: 4.366 (1.209 em SP)

Deputados estaduais: 72 (9 em SP)

Deputados federais: 33 (7 em SP)

Senadores: 7 (2 em SP)

Filiados: 1,36 milhão (cerca de 300 mil em SP)

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