Doria suspende futebol em SP à revalia de clubes e federação

JOÃO GABRIEL, CARLOS PETROCILO E BRUNO RODRIGUES
·4 minuto de leitura
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 07.01.2021 - O governador João Doria durante coletiva. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 07.01.2021 - O governador João Doria durante coletiva. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo de São Paulo vai suspender o futebol e todas as atividades esportivas nesta quinta-feira (11), como parte do novo pacote de medidas para contenção do coronavírus no estado. O anuncio oficial será feito na coletiva do governador João Doria (PSDB), às 12h45, mas a decisão já foi informada à Federação Paulista de Futebol.

A suspensão do Campeonato Paulista e das demais atividades do esporte já era certa por parte do governo desde terça-feira (9). Quando soube, o presidente da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos, tentou articular uma reviravolta. O deputado estadual Delegado Olim foi um dos encarregados de tentar convencer a gestão Doria pela manutenção dos jogos.

Clubes e federação reclamam que não houve diálogo com o setor, que garante ter protocolos sanitários seguros.

"Não há qualquer argumento científico que sustente a tese de que o futebol profissional gere aumento no número de casos. Pelo contrário, o futebol possui um protocolo extremamente rigoroso, com acompanhamento médico diário e testagem em massa de seus profissionais. Uma eventual paralisação seria ainda mais prejudicial ao combate à Covid-19, pois deixaria expostos milhares de atletas, que não mais passariam a ter o controle médico diário e de testagem que o futebol oferece", afirmou a FPF na terça, em nota.

Na quarta (10), antes da coletiva de Doria -na qual havia expectativa de que anunciasse uma série de restrições inclusive ao esporte-, houve uma reunião entre Reinaldo Bastos e o seu vice Mauro Silva e os secretários estaduais Marco Vinholi (Desenvolvimento Regional) e Patricia Ellen (Desenvolvimento Econômico).

O anúncio do governo de São Paulo, esperado então para aquela tarde de quarta, acabou não acontecendo.

No mesmo dia, uma reunião virtual do presidente da CBF, Rogério Caboclo, com clubes das Séries A, B, C e D -cerca de 60 participantes entre presidentes e outros representantes- teve como resultado a escolha da maioria pela continuidade do futebol.

"Estamos trabalhando como viabilizar medidas que possam de fato aumentar o isolamento social. Em relação às recomendações, elas podem fazer parte de uma série de medidas que vão se somar ao que nós já temos hoje. O governo vai anunciar assim que for conveniente", afirmou na quarta Paulo Menezes, do Centro de Contingência do governo paulista.

Se a expectativa do anúncio na quarta acabou não se concretizando, Doria encerrou a coltiva avisando que no dia seguinte, traria grandes mudanças ao Plano SP -as diretrizes que regolamentam a quarentena no estado. Nesta quinta, suspendeu o futebol e anunciou a fase roxa.

Levantamento da Folha mostrou que apenas 2 dos 40 clubes da Séries A e B do Brasileiro são a favor da paralisação: Chapeoense e Brasil de Pelotas.

Na semana passada, o presidente santista Andrés Rueda afirmou em entrevista ser favorável a uma paralisação do futebol.

"Com dor no coração, a situação está nos assustando muito, estamos perdendo a sensibilidade, falamos de vidas que não têm sentido de serem perdidas. Qualquer medida para salvar uma vida vale", afirmou o mandatário santista, questionado pela Folha sobre defender ou não a manutenção das competições.

Presidente do Sindicato dos Atletas de São Paulo, Rinaldo Martorelli também reclama que a entidade não foi convocada sequer para a reunião desta quarta, mas afirma que o decidido pelo governo será respeitado.

Ele entende que, antes que fosse tomada a decisão, deveria ter acontecido um diálogo para tentar adaptar o atual protocolo sanitário para o futebol.

"A gente quer o campeonato com toda segurança possível. Se não houver essa possibilidade, se os médicos nos disserem que não há nenhum protocolo possível, aí vamos defender a paralisação.

Conversamos com atletas, eles querem jogar, estão preocupados com a condição financeira. Temos muitos elementos para analisar", completou.

Atualmente, o estado abriga a disputa do Campeonato Paulista. Também há times de São Paulo na Copa do Brasil, como o Mirassol, que no próximo dia 18 tem compromisso marcado para receber o Red Bull Bragantino, e o Marília, que no dia 17 enfrenta o Criciúma, em casa.

Times como o Corinthians e a Ponte Preta também disputam o torneio nacional, mas têm jogos agendados para fora do estado. A CBF disse que os jogos agendados serão transferidos para outras cidades ou outros estados onde possa haver a disputa.

Essa seria a segunda suspensão do futebol em São Paulo. A primeira aconteceu no dia 16 de março de 2020 e durou até o final de julho.

No último dia 3, São Paulo havia entrado na fase vermelha da quarentena, na qual só os serviços essenciais tem autorização para funcionar. No entanto, neste momento, o futebol ainda ainda estava autorizado a funcionar.

"Vamos seguir o mesmo modelo que vem sendo seguido na Europa, onde vários países instituíram lockdown e mantiveram o futebol e esporte sem plateia'', disse então José Medina, do Centro de Contingência paulista contra o coronavírus. "Esse tipo de atividade é controlada, até porque a população precisa de algum tipo de diversão, de entretenimento."