Dos últimos oito presidentes, apenas cinco receberam a faixa presidencial de seu antecessor; entenda

Em meio a dúvidas sobre a presença do presidente Jair Bolsonaro na cerimônia de posse de Lula, a equipe de transição já estuda alternativas para a passagem de faixa — o vice-presidente Hamilton Mourão já avisou que não vai entregar a indumentária ao futuro chefe do Executivo. Apesar de as negativas serem incomuns, fatores diversos fizeram com que dos últimos oito presidentes, apenas cinco recebessem a faixa do antecessor.

Malu Gaspar: A ideia que ganha força nos bastidores para a entrega de faixa a Lula

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Do grupo, o único que viu seu antecessor se negar a participar da formalidade foi José Sarney, em 1985, que assumiu o cargo após a hospitalização e morte de Tancredo Neves. Depois de 21 anos de regime ditatorial, o então presidente militar João Figueiredo se negou a ir à posse de Sarney.

Quem também não recebeu a faixa presidencial foi Itamar Franco, que assumiu o cargo após o impeachment de Fernando Collor, sem cerimônia comemorativa. O político, inclusive, só usou o adereço uma única vez, no momento em que o transmitiu ao sucessor Fernando Henrique Cardoso. Pela proximidade com Collor, ele se recusou a vestir o símbolo presidencial durante os desfiles de 7 de Setembro, como é tradição.

A mesma postura discreta foi adotada por Michel Temer, que também não recebeu a indumentária de sua antecessora Dilma Rousseff, alvo de um processo de impeachment. Após assumir o cargo, Temer chegou a usar a faixa para fazer uma foto oficial, mas virou alvo de memes na internet. Ele, então, refez a foto usando apenas um terno e não vestiu mais adereço até a posse de Jair Bolsonaro, que ocorreu de forma republicana e sem desconfortos.

Assim como o atual presidente, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e o próprio Lula, quando foi eleito pela primeira vez, não enfrentaram saias jutas em suas em suas cerimônias de posse.

Transição estuda opções

Como noticiou a colunista Malu Gaspar, auxiliares da equipe de transição de Lula pretendem discutir com a primeira-dama, Janja, a melhor forma de fazer o ritual da faixa durante a posse. Em um cenário de ausência de Bolsonaro, ganha força a ideia de que a entrega seja feita não por uma pessoa, mas por um conjunto de pessoas que representem a diversidade do povo brasileiro.

Um dos nomes que passou a ser cogitado para marcar presença na posse é o da enfermeira Mônica Calazans, que se tornou símbolo da campanha de vacinação no País contra a Covid-19 – ela foi a primeira pessoa a receber o imunizante contra o coronavírus.

Outros nomes discutidos reservadamente são o de Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, e a antropóloga Beatriz de Almeida Matos, mulher de Bruno Pereira.