Um dos cérebros do atentado de Mumbai é preso no Paquistão

As forças de segurança vigiam a saída de Hafeez Saeed, um dos suspeitos dos ataques que deixaram 160 mortos em Bombaim em 2008, de um tribunal de Lahore no Paquistão, em 12 de fevereiro de 2020

Hafiz Saeed, um dos suspeitos dos ataques que deixaram 160 mortos em Mumbai em 2008, foi condenado a cinco anos e meio de prisão no Paquistão, nesta quarta-feira (12), por "posse ilegal de propriedade" e por integrar uma "organização terrorista" - disse seu advogado à AFP.

Descrito como "terrorista internacional" pelos Estados Unidos, Saeed foi considerado culpado de "fazer parte de uma organização terrorista proibida" e de "posse ilegal de propriedade", relatou o advogado Imran Gill.

O acusado passou anos sob diferentes formas de detenção, às vezes em prisão domiciliar, às vezes brevemente preso e depois libertado pelas autoridades, sem ser condenado até agora pela Justiça paquistanesa.

Preso novamente em julho de 2019, permanecerá em uma prisão em Lahore, completou seu advogado.

"Realmente não há nada neste caso", acrescentou Gill, reforçando que "é apenas por causa da pressão do GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional)".

Esse órgão intergovernamental, que luta contra a lavagem de dinheiro e contra o financiamento do terrorismo, deve decidir em breve uma possível inclusão do Paquistão em sua lista negra. A decisão terá impacto econômico para o país.

Hafeez Saeed dirige o Jamaat ud Dawa (JUD), um grupo islâmico classificado como organização terrorista pelas Nações Unidas. Para Nova Délhi, o JUD é uma fachada da Lashkar e Taiba (LET), a organização acusada de estar por trás dos ataques de Mumbai.

"A condenação de Hafiz Saeed e de seus cúmplices é um avanço importante para responsabilizar o LET por seus crimes e para que o Paquistão respeite seus compromissos com a comunidade internacional na luta contra o financiamento do terrorismo", reagiu no Twitter a chefe da diplomacia americana para o sul da Ásia, Alice Wells.