Dos memes ao reconhecimento: OBMEP já premiou mais de 680 mil alunos de escolas públicas e privadas

Conhecida por alunos do ensino fundamental e médio por suas questões um tanto quanto desafiadoras — que, inclusive, viram memes na internet —, a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) já premiou 686.645 estudantes de todo o Brasil por seus desempenhos na prova. Realizada todos os anos, desde 2005, a maior competição científica do país é aplicada majoritariamente por escolas públicas, mas também conta com a participação de colégios privados. E, apesar das brincadeiras com a avaliação bombarem nas redes, pesquisas apontam que ela ajuda a impulsionar o conhecimento científico entre os estudantes.

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A OBMEP premia separadamente alunos de escolas públicas e privadas. Aos primeiros serão concedidas este ano 6.500 medalhas (500 ouros, 1.500 pratas e 4.500 bronzes) e até 46.200 certificados de Menção Honrosa. Estudantes de instituições particulares receberão 975 medalhas (75 ouros, 225 pratas e 675 bronzes) e até 5.700 certificados de Menção Honrosa. O estado recordista de premiações é Minas Gerais, seguido por São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas e Itaú-Unibanco mostrou que alunos que realizaram a Olimpíada de Matemática tiveram um aumento de 1,91 pontos na nota média de Matemática, em relação à nota de alunos matriculados em escolas não participantes. O impacto positivo foi observado tanto em alunos que foram premiados, quanto naqueles que não receberam premiação.

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Outro dado analisado pela pesquisa é que escolas que participaram da Olimpíada aumentaram em 1,07 pontos percentuais a taxa de aprovação média entre alunos do 6º e 9º ano, e reduziram em 0,63 a taxa de abandono nessa fase.

— As premiações da OBMEP distinguem os jovens mais talentosos que o Brasil possui. Além de homenagearem o talento e a dedicação, essas premiações levam oportunidades a todas as regiões do país, oferecendo caminhos de realização pessoal e profissional, sobretudo aos nossos jovens mais carentes. Dessa forma, realizam um importante papel social e educacional — afirma Marcelo Viana, diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), responsável pela OBMEP junto à Sociedade Brasileira de Matemática (SBM), ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e Ministério da Educação (MEC).

OBMEP chega em escolas indígenas

Por abranger quase a totalidade dos municípios brasileiros, a OBMEP também tem trazido impactos significativos em comunidades tradicionais. Uma escola indígena de Cabixi, localizada na aldeia de Mamaindê Cabixi, em Mato Grosso, fez a prova da primeira fase, na última terça-feira (7), pelo segundo ano consecutivo. Ao todo, 26 alunos, de 6 a 39 anos — incluindo estudantes do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) —, realizaram a avaliação.

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Mesmo enfrentando problemas por não ter uma estrutura de prédio para abrigar as salas de aula, e precisar improvisar um espaço para estudo, a escola já teve cerca de cinco alunos que conquistaram vagas em universidades por conta do envolvimento com a Olimpíada, de acordo com o Impa.

Meninas ainda são menos premiadas

Desde quando a OBMEP foi criada, há 17 anos, meninas são menos premiadas pelos seus desempenhos. Em 2005, elas representavam apenas 28,73% dos estudantes que receberam medalhas ou menção honrosa, contra 71,27% de meninos. Essa disparidade só teve uma mudança expressiva na edição do ano passado, quando as meninas somaram 45,27% das vencedoras, contra 50,86% dos participantes do sexo masculino.

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Um dos impulsionadores desse marco é o projeto Meninas Olímpicas do Impa. A iniciativa busca estimular a participação de meninas entre 14 e 17 anos em olimpíadas de matemática e no campo das exatas em geral, com o objetivo de aumentar a presença feminina em áreas como matemática, computação e engenharia.

— Se podemos mudar esse cenário, é na educação. É nesta etapa, entre os 14 e 17 anos, que os indivíduos começam a construir sua identidade e pensar nas suas escolhas profissionais. E as meninas precisam se sentir confiantes para tomarem esta decisão — afirma a coordenadora do projeto, Letícia Rangel.

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