Dose de reforço é estratégia para barrar nova onda, diz secretária da Covid

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SÃO PAULO, SP, 16.11.2022 - Vacinação contra a Covid-19 na UBS Santa Cecília, no centro de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 16.11.2022 - Vacinação contra a Covid-19 na UBS Santa Cecília, no centro de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A secretária extraordinária de Enfrentamento da Covid-19 do Ministério da Saúde, Rosana Leite de Melo, afirmou que a dose de reforço da vacina contra o novo coronavírus deve ajudar a barrar uma nova onda da pandemia no Brasil.

Segundo Melo, o país dificilmente chegará a um cenário de aumento de casos e mortes, como ocorre hoje na Europa, com a ampliação da imunização.

Nesta semana, o Ministério da Saúde anunciou que toda a população com mais de 18 anos de idade receberá dose de reforço da vacina. Antes, a estratégia estava restrita a idosos, profissionais de saúde e imunossuprimidos.

A terceira dose (também chamada de booster, seu nome em inglês) já teve início em diversos países para adultos com 18 anos ou mais. "A dose de reforço é uma estratégia que tem a capacidade, com outras medidas, de barrar uma possível nova onda", disse Melo à Folha. Essas medidas são as não farmacológicas, como as máscaras e o distanciamento social. Melo ressaltou que a dose de reforço aumenta a imunidade. Estudos já demonstraram que, com o passar do tempo, há diminuição de anticorpos após o esquema primário completo --as duas doses ou a dose única, no caso da Janssen.

Questionada se há acompanhamento em relação a uma nova onda de Covid, Melo disse que a pasta está alerta. "O Ministério da Saúde está sempre atento, temos reuniões praticamente diárias com monitoramento não só do que acontece aqui no nosso país, mas internacionalmente. E a partir daí, sim, com muita prudência estaremos nos preparando se porventura ocorrer outra onda", disse.

Nova onda na Europa O cenário externo preocupa. A Alemanha cogita voltar ao home office. A reintrodução da medida, abandonada em julho, chega no momento em que o país enfrenta a quarta onda do vírus.

Desde meados de outubro, infecções e mortes dispararam na Alemanha, apesar de a campanha de vacinação já ter imunizado 67% da população. Enquanto isso, a Holanda se tornou no dia 12 o primeiro país da Europa Ocidental a retomar medidas mais rígidas de isolamento social por causa da Covid.

No Brasil, de imediato, a meta é atingir ao menos 90% da população com duas doses. Por isso, o Ministério da Saúde promove deste sábado (20) até o dia 26 a campanha Mega Vacinação para incentivar a imunização.

O slogan é "proteção pela metade não é proteção". A ideia é incentivar as pessoas aptas a tomar a segunda dose e a dose de reforço a procurar unidades de saúde pelo país.

"Caso o esquema [vacinal] não seja completo, não conseguiremos quantidade e qualidade suficientes de anticorpos neutralizantes. Por isso é necessário completá-lo", afirmou Melo.

21 milhões não foram tomar 2ª dose No Brasil, 21 milhões de pessoas já podem tomar a segunda dose e ainda não procuraram as unidades de saúde. Outras 9,3 milhões de pessoas já podem tomar a dose de reforço neste mês.

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e o Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde) apoiam a campanha do governo federal.

Além de liberar a dose de reforço contra Covid para adultos, o Ministério da Saúde diminuiu o intervalo da dose de reforço de seis para cinco meses após o esquema vacinal básico para aqueles que têm mais de 18 anos de idade.

A decisão foi anunciada em entrevista coletiva no Ministério da Saúde na terça-feira (16).

Desde o fim de setembro, a pasta indica a aplicação da dose de reforço em pessoas acima de 60 anos, além de integrantes de grupos de risco, como pacientes em quimioterapia, com imunodeficiência, pessoas que vivem com HIV/aids, entre outros casos.

O país já tem 73,9% da população com a primeira dose e 60,12% dos brasileiros com as duas doses ou com uma dose da vacina da Janssen, de acordo com dados desta sexta-feira (19).

Considerando somente a população adulta, os valores são, respectivamente, de 97,26% e 79,12%. Os dados são do consórcio de veículos de imprensa, colaboração entre Folha, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1.

"Avalio a cobertura vacinal bem expressiva, a população realmente responde a isso e está se vacinando. Porém, ainda não é o momento de flexibilizarmos essas nossas atenções. É importante que as pessoas venham fazer a segunda dose", disse Melo.

A secretária afirmou que a campanha pode aumentar os índices de cobertura vacinal. Segundo ela, a pasta tem apoiado os municípios na iniciativa.

"A busca ativa é importante porque por meio dela nós conseguiremos não só uma melhor orientação, mas também sanar as dúvidas que, por ventura, algumas pessoas tenham. É uma ação importantíssima, e estamos estimulando os municípios que façam isso."

Segundo o site Our World in Data, vinculado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos no percentual de vacinados contra Covid.

A informação foi compartilhada em uma rede social pelo cientista Eric Topol, cardiologista, fundador e diretor do Scripps Research Translational Institute, e professor de Medicina Molecular no Scripps Research Institute.

De acordo com ele, o Brasil se uniu a outros 55 países que superaram os índices americanos.

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