Doses suspensas da CoronaVac não provocaram reações adversas, diz governo de SP

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SÃO PAULO — O governo de São Paulo afirmou que até o momento não foi registrada reação adversa nas pessoas que receberam doses da vacina CoronaVac dos lotes que foram suspensos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no último sábado. O caso foi revelado pelo GLOBO depois que o Instituto Butantan comunicou à agência que 12,1 milhões de doses já distribuídas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) teriam sido envasadas em uma linha específica da fabricante Sinovac na China que não havia sido vistoriada pelo órgão regulatório brasileiro.

Na segunda-feira, o Ministério da Saúde determinou a suspensão da distribuição desses lotes e afirmou que eles serão monitorados até que a Anvisa divulgue sua posição final sobre o tema.

— Estamos trabalhando com a Anvisa para regularizar esses lotes que foram quarentemados. Eles foram produzidos na fábrica da Sinovac que produz todas as suas vacinas. Foram submetidos ao controle de qualidade nos laboratórios da Sinovac, em unidades credenciadas pela Anvisa. O que ocorreu é que na pandemia a Sinovac colocou em funcionamento várias linhas de envasa. A vacina é fabricada em um local e envasada em outro local. E esse lote foi envasado em uma das fábricas da Sinovac que não havia sido visitada pela Anvisa. Isso criou uma necessidade de acertar com a Anvisa a certificação dessa nova unidade. Isso está sendo providenciado, a documentação foi enviada — explicou Dimas Covas, presidente do Instituto Butantan.

Segundo ele, a Anvisa aguarda ainda a chegada de uma documentação da “Anvisa chinesa”, a NPMA, o que deve acontecer nesta semana.

— Não há questionamentos sobre a qualidade e segurança da vacina – reforçou Covas. – Existe esse procedimento documental que será acertado muito brevemente com a liberação desses lotes.

O secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, informou que a orientação dada aos municípios é que observem eventuais intercorrências com as pessoas que tomaram algumas dessas doses por até 30 dias.

— A população pode ficar tranquila em relação aos lotes mantidos em suspensão pela Anvisa. Todas as doses passaram por um rígido controle de qualidade, pelo próprio Instituto Butantan e também pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade, vinculado à Fiocruz, para que dessa forma pudesse ser distribuído para os municípios. De toda forma orientamos os municípios que tenham esse dispositivo de doses para que acompanhem o evolutivo desses pacientes nos próximos 30 dias. Nenhum dos pacientes que recebeu esse imunizante apresentou qualquer reação, mínima que fosse — disse Gorinchteyn.

O estado de São Paulo tem atualmente uma taxa de 33% de ocupação de UTIs. Na Grande São Paulo, esse índice é de 35%. Casos, internações e óbitos estão em queda no estado.

Dose de reforço com a CoronaVac

Na segunda-feira, o estado de São Paulo começou a aplicação da terceira dose da vacina contra a Covid na população idosa e pessoas imunossuprimidas. A etapa de reforço começou para pessoas com mais de 90 anos. O grupo é estimado em 148,7 mil pessoas. No primeiro dia, até às 18h foram aplicadas 12.607 doses adicionais, segundo o governo do estado. Entre os vacinados, 99,2% tomaram a CoronaVac, 0,3% Astrazeneca e 0,1% Pfizer.

A orientação do Plano Estadual de Imunização (PEI) é que os municípios apliquem “o imunizante que estiver disponível nos postos de vacinação”, de acordo com a indicação do Comitê Científico que assessora o governo na gestão da pandemia.

A adoção de uma terceira dose é defendida por especialistas no combate a novas variantes do coronavírus, como a Delta, mas a escolha pela CoronaVac para a terceira dose de idosos tem sido contraindicada por cientistas e pelo Ministério da Saúde.

Segundo especialistas da área da saúde, embora a CoronaVac ajude a prevenir formas graves e óbitos por Covid, ela não seria a melhor opção para o reforço na população idosa. Isso porque nesse grupo em que o sistema imune também envelhece é mais difícil alcançar uma maior resposta imunológica. Por isso, defendem, o ideal seria oferecer a vacina que mais produz anticorpos. As evidências obtidas por estudos até agora indicam que as vacinas de RNA mensageiro (caso da Pfizer) e as de vetor viral, como AstraZeneca ou Janssen, produzem resposta imune mais intensa nessas populações mais vulneráveis.

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