Dossiê Roubo de Cargas: confira principais bairros, horários e como agem os criminosos, segundo ISP

Rafael Nascimento de Souza
Carga de doces recuperada pela Polícia Militar que foi roubada por criminosos de uma favela em Jardim América

O dossiê Roubos de Cargas que o governo do estado lançará daqui a pouco detalha um panorama desse tipo de crime em todo o estado em 2018. Em um estudo inédito, o Instituto de Segurança Pública (ISP) analisou cada um dos 9.182 roubos daquele ano. Segundo o documento, a capital registrou 43,8% dos casos, seguida por São Gonçalo, com 18,5%. A maioria dos casos acontece entre 8h e 13h, com picos entre 10h e 11h. E as regiões que os criminosos mais roubaram foram Bangu, Penha, Vigário Geral, Complexo do Salgueiro (São Gonçalo), Lagoinha e Jardim Miriambi (São Gonçalo) e Porto do Rosa (São Gonçalo)
 
De acordo com o ISP, 80% dos roubos de cargas acontecerem nas rodovias do estado entre terça e sexta-feira. Ao analisar os roubos nessas áreas foi possível perceber que a maior parte das cargas roubadas no ano passado (31,9%) foi de alimentos.

Quanto à dinâmica das abordagens durante os roubos nessas áreas, o dossiê mostra que 44,9% dos veículos de transporte eram caminhões e ao menos uma motocicleta foi usada em 46,6% dos casos para efetuar o roubo. Em 58,6% das vezes, o criminoso deu ao motorista a ordem de seguir conduzindo o veículo sem entrar no mesmo e em 75,7% das abordagens, as vítimas disseram ter visto arma de fogo por parte dos criminosos.

Pela primeira vez, o ISP analisa o momento do descarregamento das cargas roubadas (transbordo). Com isso, foi possível descobrir os locais para onde são levadas as mercadorias após os roubos. No geral, as vítimas não identificaram mais pessoas para realizar tal tarefa, ou seja, os mesmos autores que abordaram os veículos foram os que descarregaram as cargas. E, no geral, o veículo que abordou as vítimas foram os mesmos usados para o transporte da carga.

Na manhã desta segunda-feira, a Polícia Civil divulgou os dados de roubos de cargas em novembro. Segundo a corporação, os números desse tipo de crime caíram novamente no Estado do Rio, em novembro. A Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) conseguiu evitar que 111 cargas fossem roubadas no estado no último mês. Em novembro de 2018, todo o estado registrou 725 ocorrências. Já no mesmo período desta ano foram 516 casos. A redução foi de 29%.

A Polícia Civil afirma que, esses crimes se concentram em bairros como Pavuna e Irajá, na Zona Norte do Rio; Bangu, na Zona Oeste; São Gonçalo, na Região Metropolitana; além de Belford Roxo e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. No entanto, segundo a DRFC, os crimes tem caído em todo o Rio.

O diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), delegado Delmir Gouvea, afirma que há mapeamentos e coletas de dados dos locais onde acontecem as descargas dos produtos roubados. O objetivo é saber quem comete esse tipo de crime e quem compra os objetos.

— Estamos nos concentrando, não só nos locais dos roubos, mas também nas áreas que chamamos de transbordo (descarga dos produtos roubados). Ali, conseguimos identificar os criminosos que praticam os roubos e os receptadores — diz Gouvea. Segundo o delegado, há dezenas de inquéritos em andamento que resultarão na prisão de receptadores dos produtos. Em 2019, mais de 30 pessoas ligadas ao roubo de cargas já foram presas no estado.

Os dados do ISP apontam que desde o começo do ano o roubo de cargas vem diminuindo. Entre janeiro e outubro de 2019, a Polícia Civil conseguiu evitar que 1.344 cargas fossem roubadas nas estradas que cortam o estado. No mesmo período do ano passado, foram 7.669 ocorrências. Nos últimos 10 meses, foram 6.325 casos.

— Os números ainda são altos. Não são aceitáveis. Mas a Polícia Civil tem feito de tudo para prender e indiciar quem comete esse tipo de crime — disse o delegado Delmir Gouvea.