Douglas Belchior cita 'racismo institucional' para deixar PSOL e diz que é erro já não apoiar Lula

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*ARQUIVO*  SP - ENTREVISTA DA SEGUNDA - Douglas Belchior. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
*ARQUIVO* SP - ENTREVISTA DA SEGUNDA - Douglas Belchior. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O historiador Douglas Belchior, uma das principais lideranças do movimento negro, cita o racismo institucional como um dos motivos que o levaram a deixar o PSOL.

"É evidente que pesa também na decisão pela saída do partido, toda a violência política, a prática do boicote, do apagamento, do silenciamento, da desqualificação e do racismo institucional que sofri nesses anos de embate, sobretudo quando passei a questionar, a partir de 2016, em documentos e diálogos internos, até chegar à esfera pública em 2018, a conduta racista das direções de São Paulo, de correntes internas e da direção nacional do PSOL", afirma ele em carta divulgada nesta quinta (30) no site da Uneafro, entidade presidida por ele.

"Foram justas as disputas que travei e sinto que surtiram algum efeito, constrangeram posturas e abriram caminhos para avanços que, quero crer, um dia virão."

Ele também avalia como um erro não apoiar desde já uma candidatura "Quanto à conjuntura, acredito e defendo a necessidade de fortalecer desde já a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva como contraponto a Bolsonaro. Titubear à esta altura é um erro. Mais um tema tergiversado neste Congresso", diz.

"Minha atuação sempre foi dirigida pelo movimento negro e periférico, em especial pela Uneafro Brasil, que ajudei a fundar, e por diversos coletivos que constroem a luta cotidiana nas periferias do Estado de São Paulo há mais de 20 anos", afirma Belchior.

"Sempre acreditei em partido-movimento. Sempre defendi que o partido faça parte da vida ordinária, cotidiana das pessoas. Sempre critiquei partidos-mandatos, partidos-correntes, partidos de vida eleitoral apenas. Me dediquei a essa forma de atuação e todas as candidaturas que vivi foram expressão do trabalho dos movimentos que ajudo a construir", afirma Belchior. "E sempre lamentei o fato de o Psol não reconhecer essa nossa atuação em São Paulo."

"Os resultados do 7º Congresso Nacional do partido, realizado neste último final de semana, confirmam que, embora o discurso carregue elementos de mudanças, a estrutura não muda, a direção é a mesma, a mesma lógica de partilha interna de poder, a mesma cara, a mesma tez", segue ele.

O militante ainda aponta que nesses 16 anos, "a sociedade como um todo sofreu importantes mudanças na forma de fazer política e de tratar o tema do racismo".

"Infelizmente, o partido jovem e depositário da confiança de uma base social também jovem e sedenta de novas experiências, sempre foi preso à velha lógica das correntes internas, proprietárias reais da máquina partidária, hegemonizadas pelo pensamento e pela forma branco-eurocêntrica da esquerda tradicional de se fazer política."

Coordenador da Uneafro e da Coalizão Negra por Direitos, Douglas é suplente de deputado federal e teve 50 mil votos nas eleições de 2018. ​Há uma grande expectativa, no PT, de que ele entre no partido. Ele já se runiu com Lula e com o ex-prefeito Fernando Haddad recentemente.

O historiador foi filiado à legenda por 16 anos. Pela agremiação, foi candidato a vereador por Poá-SP em 2012, a deputado federal em 2014, a vereador novamente em 2016 (dessa vez por São Paulo) e tentou se eleger para a Câmara de novo em 2018.

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