Magnata da imprensa de HK é condenado a 14 meses de prisão por protestos pró-democracia

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O empersário Jimmy Lai foi condenado a 12 meses de prisão

O magnata dos meios de comunicação de Hong Kong Jimmy Lai foi condenado, nesta sexta-feira (16), a 14 meses de prisão por seu papel na organização em 2019 em duas das maiores manifestações a favor da democracia.

Esta é a primeira vez que Lai, de 73 anos e atualmente em prisão provisória - depois de ter sido detido por infringir a lei sobre segurança nacional imposta pela China -, é condenado por seu ativismo.

O ativista foi condenado a duas penas diferentes nesta sexta-feira: uma de 12 meses de prisão por ter organizado um grande protesto pró-democracia em agosto de 2019, e outra de 8 meses de prisão por ter participado de outra manifestação antigovernamental.

Ele terá que ficar apenas 14 meses na prisão, e não 20, porque parte do período de cumprimento das duas sentenças coincide.

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, considerou que as acusações são "motivadas politicamente" e exigiu a libertação dos "detidos ou presos por exercer suas liberdades fundamentais".

"Continuaremos apoiando os honcongueses enquanto respondem ao ataque de Pequim a suas liberdades e autonomia", acrescentou Blinken em um comunicado.

"A decisão das autoridades de Hong Kong de pegar como alvo personalidades (que lutam por) a democracia para processá-las deve terminar", afirmou o ministro britânicos das Relações Exteriores, Dominic Raab, em um tuíte.

Ao lado de Lai, outros quatro acusados também foram condenados a penas de entre 8 e 18 meses de prisão por organizar e participar no protesto pacífico de 18 de agosto de 2019, quando pediram o reforço da democracia e que a polícia prestasse contas por suas ações repressivas.

O tribunal ordenou a liberdade condicional para outros quatro acusados, incluindo o famoso advogado Martin Lee, de 82 anos e conhecido como o "pai da democracia" em Hong Kong, e a advogada e ex-deputada Margaret Ng, de 73 anos.

Os processados foram acusados de organizar um dos maiores protestos democráticos registrados aquele ano, em 18 de agosto de 2019.

Os organizadores foram responsáveis por reunir 1,7 milhão de manifestantes naquele dia, o que representaria quase um em cada quatro habitantes de Hong Kong. Esse número não pôde ser verificado de forma independente.

- Eliminação de dissidentes pacíficos -

A maioria desses veteranos da oposição de Hong Kong, frequentemente apóstolos da não-violência, passaram décadas lutando sem sucesso por um verdadeiro sufrágio universal.

Muitas manifestações de 2019 resultaram em confrontos entre os participantes e a polícia de choque, e representaram um grande desafio para as autoridades desde que a ex-colônia britânica foi devolvida à China pelo Reino Unido em 1997.

Em resposta a este movimento, Pequim impôs uma lei draconiana de segurança nacional que criminaliza a dissidência.

Além disso, a China promulgou esta semana uma reforma do sistema eleitoral local, o que vai marginalizar totalmente a oposição no Conselho Legislativo (LegCo, o Parlamento de Hong Kong).

Yamini Mishra, diretora regional da Anistia Internacional para a Ásia e Oceania, afirmou que as sentenças de hoje mostram a determinação do governo em acabar com a dissidência.

"Depois de prender a maioria dos principais dissidentes de Hong Kong usando a repressiva lei de segurança nacional, as autoridades estão agora eliminando os dissidentes pacíficos restantes sob falsos pretextos relacionados aos protestos de 2019", comentou.

Antes de condenar os nove réus, a juíza Amanda Woodcock afirmou que a manifestação foi "premeditada" para evitar uma proibição policial.

Também considerou que o fato de ser pacífica não era uma desculpa. "A Lei garante a liberdade de reunião e procissão, mas esses direitos não são absolutos e estão sujeitos a restrições", frisou.

Entre os ativistas também havia membros do Partido Trabalhista ou da Frente Civil de Direitos Humanos (FCDH), coalizão que organizou os maiores protestos de 2019.

Ao final da audiência, pessoas que vieram apoiar os nove acusados se levantaram e os saudaram. "Vamos apoiá-los até o fim", gritaram.

"Não existe direito tão precioso para os habitantes de Hong Kong quanto a liberdade de expressão e a liberdade de reunião pacífica", resumiu a advogada Margaret Ng, aplaudida pelo público.

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