Dr. Jairinho é indiciado por tortura à filha de ex-namorada: 'Caso mostra perfil de violência contra menores'

·5 minuto de leitura
São três casos investigados pela polícia sobre crianças que podem ter sido agredidas por Jairinho: o menino Henry Borel, que morreu, e os filhos de outras duas ex-namoradas de Jairinho (Foto: Reprodução)
São três casos investigados pela polícia sobre crianças que podem ter sido agredidas por Jairinho: o menino Henry Borel, que morreu, e os filhos de outras duas ex-namoradas de Jairinho (Foto: Reprodução)
  • O vereador Dr. Jairinho foi indiciado por tortura contra a filha de uma ex-namorada

  • São três casos investigados pela polícia sobre crianças que podem ter sido agredidas por ele

  • Segundo o delegado, a ex de Jairinho só denunciou o caso após se sentir encorajada por outras denuncias; antes, ela tinha medo dele

O vereador Dr. Jairinho, preso sob a suspeita de homícido duplamente qualificado e tortura no caso de Henry Borel, foi indiciado também por tortura contra a filha de uma ex-namorada. De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público (MP), que concluiram o inquérito nesta sexta-feira (30), há provas de que o vereador cometeu as agressões.

“Esse caso serve para corroborar o perfil violência do Dr. Jairinho contra menores filhos das pessoas que ele tem relacionamento amoroso. Isso ficou comprovado na investigação que foi concluída e na investigação que está em andamento”, disse o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), em coletiva de imprensa.

Leia também

Curi referia-se a outro inquérito contra Dr. Jairinho. São três casos investigados pela polícia sobre crianças que podem ter sido agredidas por ele:

  • o menino Henry Borel, que morreu

  • o filho de uma ex-namorada, que teve ossos quebrados

  • a filha de outra ex-companheira, pelo qual ele foi indiciado por tortura

As investigações começaram na 16ª DP (Barra da Tijuca), onde ainda são apuradas as circunstâncias que envolvem a morte do menino Henry Borel. No entanto, por se tratar de outro inquérito, o trabalho foi transferido à Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV).

"Essa investigação surgiu no bojo do caso Henry. A responsável legal por uma criança, que entre os anos de 2010 e 2013, sofreu agressão comprovada pela investigação. A época, essa criança tinha entre 3 e 5 anos. Essa criança sofreu uma série de violências e até tortura", disse o delegado Felipe Curi.

Segundo o delegado, a ex de Jairinho só denunciou o caso após a repercussão da morte do menino Henry. A mulher se sentiu encorajada pelas denuncias.

"Por medo, ela acabou não denunciando. Com o caso do Henry, ela criou coragem e acabou denunciando. Esse caso não tem nada a ver com o caso Henry, mas surgiu no bojo da investigação", afirmou.

Indiciado por crime de tortura

A polícia conseguiu provas documentais a partir dos relatórios médicos de hospitais para os quais as crianças — tanto a menina, quanto o menino, cuja investigação ainda está em andamento — foram levadas na época das agressões entre 2010 e 2013.

"Essa criança narrou e confirmou as agressões cometidas pelo indiciado, conhecido pelo nome político de Jairinho. Toda versão apresentada por Dr. Jairinho foi derrubada pelas provas documentais e pelo depoimento", explicou o delegado Adriano Marcelo França, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

Os investigadores também disseram ter conseguido fotos que derrubam a versão de Jairinho, que será indiciado pelo crime de tortura.

"Em determinados momentos ele diz não estar com determinadas crianças e em determinados locais. Porém, fotos mostram o contrário. A mãe dessa criança não foi indiciada. O crime aqui é de tortura majorada, por ser criança e por um período de dois anos", disse Adriano.

“Jairinho negou que teria estado com essa menina em determinado local. Tudo isso foi desconstruído. Provas [fotos] mostram o contrário. O depoimentos ele em sede policial foi totalmente desconstruído”.

Durante a coletiva de imprensa, o delegado afirmou que as agressões foram as mesmas nas diferentes vítimas (Foto: Reprodução)
Durante a coletiva de imprensa, o delegado afirmou que as agressões foram as mesmas nas diferentes vítimas (Foto: Reprodução)

Crianças tinham pavor de Jairinho

Ao relatarem dados da investigação, os delegados contaram que a criança tinha pavor e pânico ao ver o carro de Jairinho.

"A figura do doutor Jairinho trazia lembranças das agressões. Ela ficava segurando na perna da avó para não ir ao encontro do Dr. Jairinho. Quando se identificaram a ânsia de vômito e o pânico da criança, foi afastada do convívio. A criança foi praticamente criada pela avó por questões familiares", contou.

Os delegados explicaram ainda que a mãe da menina não foi indiciada na investigação, e é tratada como vítima de violência doméstica praticada por Dr. Jairinho, que por causa das agressões cometidas contra a filha da ex-namorada, vai responder por crime de tortura majorada e teve pedida a sua prisão preventiva.

Mesmo perfil nas agressões contra menores

Durante a coletiva de imprensa, o delegado afirmou que as agressões foram as mesmas nas diferentes vítimas.

“São crianças da mesma faixa etária e as lesões praticadas chamam atenção. As crianças narraram agressões semelhantes. Afogamento na piscina, chutes, socos, torção no braço”, contou.

De acordo com os investigadores, a agressividade de Jairinho acontecia em momentos "clandestinos".

“O perfil dele com as crianças é o que foi narrado aqui sobre as agressões. Da mesma forma que era violento, ele tinha um lado carinhoso. Esse lado carinhoso era na presença das mães, em festas. O perfil violento dele era feito de forma clandestina, na clandestinidade. Eram torção no braço, chutes, pisões, tudo que já foi narrado”.

Outras agressões

O outro menor é um menino que tinha três anos de idade quando foi agredido. Entre as ocorrências de agressão, ele relatou um dia em que ele saiu para passear com Doutor Jairinho e voltou com um fêmur (osso da coxa) quebrado.

Paralelamente ao inquérito que investiga as agressões que teriam sido cometidas contras essas crianças, o trabalho de apuração da morte do menino Henry Borel continua.

São três casos investigados pela polícia sobre crianças que podem ter sido agredidas por Jairinho: o menino Henry Borel, que morreu, e os filhos de outras duas ex-namoradas de Jairinho.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos