Drag queen brasileira vence reality show americano produzido por Ru Paul

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Na noite de quinta-feira, a drag brasileira Grégory Mohd - que usa o nome artístico de Grag Queen - se sagrou campeã da temporada de estreia de "Queen of The Universe", o primeiro reality show de canto com drag queens no mundo. Com produção executiva de Ru Paul, o programa reuniu 14 candidatas de 10 países para a grande final, diante um júri formado por Vanessa Williams, Michelle Visage, Trixie Mattel e Leona Lewis, que avaliaram afinação, carisma, look e maquiagem das candidatas.

Na final, Grag Queen interpretou o imortal tema natalino "Jingle Bell Rock" e a canção "Rise Up', da cantora americana Andra Day. O prêmio que ela levou foi de US$ 250 mil, o equivalente a R$ 1,4 mihão. As finalistas, junto com a brasileira, foram as norte-americanas Ada Vox e Aria B Cassadine.

Ao ser anunciada como a Rainha do Universo, Grag (que tem dois milhões de seguidores no TikTok) se emocionou: "Estou tão realizada! Esse título é o símbolo da conquista de um grande sonho, tenho certeza de que minha família e meu país estão orgulhosos de mim. Não poderia deixar de mencionar a maravilhosa oportunidade de conhecer as drag queens mais talentosas e inspiradoras de todo o mundo ao longo dessa trajetória, parabéns a todas”, disse.

Natural de Canela, Rio Grande do Sul, Grag Queen começou a cantar na igreja evangélica, mas, como ainda desafinava um pouco, o pai músico não a apoiava na carreira artística. Então Grégory correu atrás e estudou com a ajuda de tutoriais na internet e, aos 18 anos começou a participar de musicais em sua cidade natal.

Mais difícil, porém, foi superar o preconceito.

— Eu nasci na igreja, já levei pedrada na escola, já fui expulso de duas. Eu consegui olhar no espelho e me sentir bonita, sentir que posso tudo, me sinto mutante. Ela me resgata essas possibilidades — disse Grag Queen, em entrevista ao GLOBO.

Com o dinheiro que ganhou com cachês, a drag foi para Nova York estudar mais: aprimorou o inglês e entrou em um conservatório da Broadway, com aulas de técnica vocal. Em 2018, ela começou a se montar. Criou ao lado de um amigo o projeto “Armário de saia”, em homenagem a drag queens. Com a decisão de seguir a carreira artística estabelecida, a família passou a apoiá-la.

— Quando decidi ser drag, vi que precisaria me esforçar 500% até para que eles entendessem. Agora, minha mãe recebe mensagens de outras mães de meninos gays dizendo que acham linda nossa relação e como isso as ajudou a se abrirem e acolherem os filhos — disse ela ao GLOBO. — Eu penso sempre em mim, aquela bichinha aqui de Canela, 30 mil habitantes. Quando no mundo que ela ia imaginar que poderia concorrer ao título de Rainha do Universo?

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