Drama dos raptos na Nigéria recriados por escultora

Drama dos raptos na Nigéria recriados por escultora

Numa exposiçãono centro comercial de Lagos, na Nigéria, lembram-se as 276 alunas, dos 14 aos 19 anos, sequestradas na Escola Secundária Estatal Feminina de Chibok,em 2014.

Fotografias deram lugar a bustos criados pela escultora francesa Prune Nourry. A artista conheceu as famílias e pediu fotografias das meninas desaparecidas. Inspirando-se nos retratos desenhou oito cabeças e outras 108 foram criadas pelo mesmo número de estudantes da Universidade Obafemi-Awolowo. Uma forma não deixar esquecer um acontecimento trágico.

Para a artista o objetivo é também chamar a atenção para a importância da educar estas meninas, ao mesmo tempo que "personificam alguém e lhe dão vida". Com esta colaboração, Prune Nourry espera marcar uma posição através da arte e, quem sabe, se a exposição viajar por África ou pelo mundo ela poderá ajudar a que estes raptos não sejam esquecidos. O curador da mostra, concorda.

"Espero que se vá para lá das quatro paredes deste espaço de exposição, para além da Nigéria, que se torne global, como se amplificasse ou mostrasse o mundo nos tempos em que vivemos, porque isto não se limita à Nigéria. Quase que podemos ver uma relação com o o que se passa no Irão".

Para a coordenadora da campanha #BringBackOurGirls, lançada nas redes sociais e que envolveu celebridades de todo o mundo, incluindo a ex-primeira dama dos EUA Michelle Obama, "é um lembrete permanente do que aconteceu". O país teve um período na sua história "onde mulheres, homens, crianças foram raptadas, alguns foram recuperadas, alguns continuam, até hoje, em cativeiro", explicava Habibat Balogun.

De acordo com o Comité Internacional da Cruz Vermelha a Nigéria é o país que tem o maior número de pessoas desaparecidas em África. As escolas são um dos alvos. O objetivo, em muitos casos, o dinheiro dos regates, mas haverá milhares de nigerianos desaparecidos, muitos deles crianças e jovens.