Drauzio Varella comenta abraço em trans no ‘Fantástico’: ‘Me emocionou’

Naiara Andrade
O tão comentado abraço de Drauzio em Susy

Desde o último domingo, quando foi ao ar no “Fantástico” uma reportagem em que Drauzio Varella mostrou como vivem transexuais em presídios brasileiros, o nome do médico não para de ser mencionado nas redes sociais. A sensibilidade com que Drauzio lidou com as histórias de vida dessas presas comoveu telespectadores e internautas de tal forma que provocou mobilizações nas redes sociais: tem quem esteja escrevendo cartas para Suzy, a trans que não recebe visitas na cadeia há oito anos e, ao reclamar de solidão, ganhou um abraço afetuoso do médico; tem os que estão participando de vaquinha virtual para ajudar financeiramente Lolla, que conseguiu liberdade condicional e recomeça a voda vendendo água no sinal de trânsito em São Paulo, fantasiada de palhaço.

O EXTRA procurou Drauzio para comentar tamanha repercussão em torno dos assuntos abordados na reportagem e de suas atitudes. Confira:

Como você tem acompanhado a repercussão da matéria do último domingo, sobre travestis e transexuais no presídio?

É muito importante discutir as diferenças sociais. As diversidades que, às vezes, fingimos que não existem. Provocar essa discussão no “Fantástico”, um programa que reúne famílias no domingo à noite, deu ao quadro muita credibilidade. A repercussão foi muito grande. Discutir esse assunto, que é delicado, poderia causar um ruído, até pelo preconceito que algumas pessoas têm sobre o tema. Mas foi totalmente o contrário.

O abraço que você deu no fim da matéria acabou virando um símbolo. Comente um pouco sobre isso.

No momento em que estava gravando, comecei a contar que ela foi obrigada a se prostituir para conseguir o básico na cadeia. E o que me chamou atenção foi a solidão que ela vivia lá. Sete, oito anos sem receber visitas. No momento em que ela me contou isso, notei uma tristeza tão forte no olhar dela que me emocionou. Só pensava em uma pessoa como essa, que deve ter sofrido agressões a vida inteira, que parou na cadeia por ter cometido um crime, mas que não tem ninguém que se lembre dela, que mande uma carta. Espontaneamente dei um abraço nela. Depois me dei conta do que estava fazendo. Isso gerou uma repercussão enorme, como se fosse inusitado abraçar outro ser humano.

Quanto tempo levou para fazer essa matéria?

Nós começamos essa matéria para o “Fantástico” no ano passado, por volta de outubro. Gravamos em quatro cadeias: a de Pinheiros, em São Paulo; Parada Neto, em Guarulhos; e duas em Pernambuco, Igarassu, na grande Recife, e de Tacaímbó, perto de Caruaru.