Drible às restrições no Rio tem loja com luz apagada, venda à meia porta, prateleiras interditadas e até atendimento por app

Marcos Nunes e Rodrigo de Souza
·2 minuto de leitura

No primeiro dia do feriado de dez dias, decretado para conter o avanço da Covid-19 no Rio, algumas lojas da capital estão tentando driblar as restrições impostas pela prefeitura, que só liberou o funcionamento de serviços essenciais no período. No Méier, na Zona Norte da cidade, o EXTRA flagrou comércios abertos na Rua Dias da Cruz, principal via do bairro, na tarde desta sexta-feira.

Em operação, um espaço que comercializa quadros avisava, com um cartaz na fachada, que o atendimento está sendo feito através de um aplicativo de mensagens. Na mesma rua, uma loja de sapatos adotou a mesma estratégia e, à meia porta, solicitava o contato via app. Em um trecho da Dias da Cruz fechado ao trânsito, camelôs vendiam em barraquinhas improvisadas mercadorias como panos de chão e bijuterias.

- A Seop esteve aqui.mais cedo, mas já foi embora - disse um homem, que não quis se identificar.

Na tarde desta sexta-feira, uma patrulha da Guarda Municipal e uma viatura da Operação Méier Presente podiam ser vistas em outra parte da Dias da Cruz. Já na Rua 24 de Maio, também no Méier, havia uma loja de tintas funcionando normalmente. Não muito longe dali, em Madureira, pelo menos quatro estabelecimentos ignoravam o decreto funcionando à meia porta na Estrada do Portela.

Já na Zona Oeste, no Calçadão de Campo Grande, um dos principais centros comerciais da região, espaços que não têm autorização para abrir durante a pausa emergencial também operavam às escondidas, apesar do movimento mais fraco do que o habitual. Era o caso de uma das unidades da loja South na rua Viúva Dantas, transversal ao Calçadão. Clientes se abaixavam para entrar no estabelecimento, que chegava a manter as luzes apagadas.

— A gente deixa meio aberto enquanto não aparece ninguém, né? Quando aparecer, a gente "pia" — disse um funcionário.

Em frente à loja, um aviso até informava que, por decreto municipal, os atendimentos aconteceriam exclusivamente por delivery, mas não foi o que se viu na tarde desta sexta-feira. Outro funcionário da marca destacou que a decisão de se manter aberto era uma tentativa de "subsistir":

— Não estamos aqui porque queremos, estamos aqui para sobreviver.

O EXTRA pediu posicionamento ao dono da loja, mas ele não se manifestou. Durante a permanência da reportagem na região, não se viu nenhum agente da Secretaria de Ordem Pública (Seop) ou da Guarda Municipal.

Já a loja de utilidades Superlar, um dos estabelecimentos mais tradicionais do bairro, funcionava normalmente, mas vendendo apenas os produtos considerados essenciais. Interditadas, prateleiras exibiam o aviso: "Conforme decreto municipal, fica proibida a venda de produtos considerados não essenciais. Por este motivo, os produtos deste setor encontram-se indisponíveis para comercialização pelo período de 26/03/2021 a 04/04/2021".