Drinques prontos, entregues por delivery, vêm para ficar: saiba onde pedir no Rio

Carol Zappa
·6 minuto de leitura

É sempre assim: os termômetros sobem e as ruas se enchem de gente atrás de bons e refrescantes drinques. Mas esse verão vai ser diferente.

— A pandemia trouxe novos hábitos de consumo. As pessoas reaprenderam a se relacionar com a bebida e passaram a procurar novas experiências, dentro ou fora de casa — acredita Lelo Forti, do Stuzzi.

Saem as firulas, entram em cena misturas mais descomplicadas, fáceis de beber e de reproduzir. E com menor teor alcoólico.

Chef e sócia do Meza Bar, Andressa Cabral aposta na complexidade de sabores, mas sem afetação.

—Demos uma desacelerada no quesito alegoria e adereço, que já passou de moda. O que importa é o conteúdo — diz.

Imposta pelo isolamento social, a onda dos coquetéis prontos (ou quase) para entrega, em embalagens cada vez mais esmeradas, não é passageira, garantem os especialistas.

— O momento só acelerou essa tendência, que já existe lá fora. É o começo de um novo normal — afirma Tai Barbin, que comanda o bar do Liz.

Conheça algumas apostas para a estação.

Gás e frescor

As bolhas estão com tudo. Com as temperaturas subindo, drinques leves e borbulhantes garantem seu lugar ao sol. “Misturas mais frescas, com poucos ingredientes e baixo teor alcoólico, são os hits da vez”, crava Lelo Forti, do Stuzzi. Coquetéis gaseificados – os chamados fizz – são a aposta da nova carta do gastrobar de sotaque italiano, que entra em cartaz em janeiro no Leblon. Até lá, prove o di angelo (gim, xarope de gengibre, limão e soda artesanal de capim-limão, R$ 34), carro-chefe local e um dos primeiros a usar o sistema de carbonatação Preshh, que adiciona o gás ao drinque na hora, por pressão. O método é o mesmo utilizado pela bartender Carol Gutierrez no FEU, espaço pop-up dos sócios da sanduicheria Seu Vidal, que promete virar point no Itanhangá. Até o fim de fevereiro, ela serve na jarra o princess peach (R$ 120), um clericot com vinho carbonatado, licor de pêssego, morango, limão-siciliano, hortelã e soda. A pegada “tropical pop” está no DNA do Meza Bar. Nos meses em que ficou fechado por imposição da quarentena, a casa passou por uma reformulação no ambiente, que ficou mais descontraído, e também em seu cardápio. Na renovada carta de drinques, a seção Coisa Nossa reúne receitas refrescantes, cítricas ou frutadas, com muitos ingredientes tipicamente brasileiros – caso do soy loco (R$ 29), feito com tequila, doce de caju ao vinho e seiva de cajueiro.

FEU:Meza Bar:Stuzzi:

Variações pelo gim

Embora o rum ainda seja uma promessa e o uísque esteja conquistando mais adeptos, não tem pra ninguém: o gim continua sendo a vedete nos balcões. O destilado protagoniza mais de 70% das criações do Garoa. “O boom do gim tônica ajudou a abrir o caminho para outras criações com a bebida”, aposta o bartender Igor Renovato. Um exemplo é o espertar! (R$ 32), feito com dois tipos de gim, mix herbal, maçã verde e espuma de Citrus. As versões saborizadas do destilado também ganham espaço. No Bobô Bar, no Méier (que acaba de ganhar um posto avançado no Taste Lab, área gourmet no NorteShopping), a clássica combinação com tônica pode ser montada com nove rótulos, de R$ 23 a R$ 35 – pelo último valor, uma das dicas reúne Tanqueray Flor de Sevilla (feito com flores de laranja), fatias da fruta, zimbro e tônica.

Bobô Bar: Garoa:

Drinques revisitados

Não é de hoje que olhos (e paladares) têm se voltado aos grandes clássicos. Negroni, dry martini e afins já caíram no gosto popular – os dois estão entre os mais vendidos no original Quartinho Bar. “Não sei se é pelo momento, que tem provocado certo saudosismo, mas muita gente tem procurado os tradicionais”, observa o sócio Edu Araújo. Mas outros clássicos menos óbvios também começam a ser lembrados. No Meza, o bramble (R$ 29), reunião de gim, xarope de amora e limão, é um dos favoritos. Para o bartender Nicola Bara, do Micro Bar, a cultura pop também influencia a busca do público por velhos conhecidos: “Em poucos dias, pessoas diferentes me pediram um gibson (versão do martini com cebola no lugar da azeitona), pela primeira vez. Descobri depois que o coquetel aparecia em uma série de TV, ‘O gambito da rainha’”, diverte-se. Releituras de antigas receitas também fazem sucesso. Novidade na carta, o bellini ganha uma versão oriental que leva, além dos tradicionais espumante e suco de pêssego (substituído por um purê da fruta com goiaba), saquê, chá branco com jasmim e tangerina (R$ 29,90). No Quartinho, o miyagi martini (R$ 34) ganha complexidade com gim, licores Saint Germain e Lillet, caju, wasabi, xarope de gengibre eácido cítrico clarificado com agar agar.

Micro Bar:Quartinho:

Para viagem

Com os bares fechados, o delivery de drinques foi um dos hits da quarentena. A moda chegou para ficar. “A forma de consumir mudou. O que está em alta é o drinque fácil, acessível (no paladar e no bolso). As pessoas estão curtindo se aventurar a reproduzir a experiência em casa”, acredita Jessica Sanchez, proprietária e mixologista do Vizinho Gastrobar. Boa parte das criações locais são entregues em garrafinhas que rendem dois coquetéis, como o beach, please!, que leva rum envelhecido, mate, limão-siciliano, xarope de especiarias e gengibre (R$ 32). Outra opção é o drink box (R$ 300): uma caixa com todos os itens para montar seus próprios drinques, em versões como moscow mule e cosmopolitan. Conhecido pelas boas pizzas de fermentação natural, o Coltivi reabriu seu charmoso jardim, mas seus coquetéis continuam viajando em saquinhos embalados a vácuo, com gelo e insumos à parte para finalizar em casa. O italian mood, mistura de gim, Cynar, Campari, xarope de manjericão e suco de limão (R$ 18), é um dos mais pedidos.

Coltivi:Vizinho Gastrobar:

Na garrafa

A onda do delivery de bebidas inspirou outra tendência: os coquetéis engarrafados. No pequenino Liz Cocktail & Co., no Leblon, Tai Barbin tirou da gaveta um antigo projeto e lançou uma linha artesanal com receitas mais intensas, que servem quatro ou seis taças. Do old fashioned (R$ 129) ao Liz’s cup (R$ 99), com vodca, vermute rosso, bitters e ginger beer à parte, para finalizar na hora. Para o verão, ele aposta nos carbonatados (olha eles aí de novo) em long necks, como uma versão borbulhante do fitzgerald, com gim, limão-siciliano e bitters (R$ 24). Para quem quiser beber por lá mesmo, aos domingos tem harmonização de ostras com uísque defumado na janela do bar (a partir de R$ 12, a dupla). No Nosso, além de clássicos como boulevardier, há três lançamentos autorais envasados. Sucesso no concorrido balcão comandando por Daniel Estevam, o ella (R$ 115), mistura de vodca infusionada com grapefruit e rosas, Aperol e aperitivo francês, vai com tônica à parte e é a cara da estação.

Liz Cocktail & Co:Nosso: