Indústria da maconha já tem sua vitrine na Quinta Avenida

Mario Villar.

Nova York, 22 abr (EFE).- Entre lojas de estilistas conhecidos e joalherias, a maconha conta com seu local na Quinta Avenida de Nova York, uma vitrine privilegiada que a indústria quer usar para impulsionar o debate sobre a legalização.

A empresa californiana MedMen inaugurou na sexta-feira um dispensário nesta popular artéria comercial, coincidindo com as celebrações do Dia da Maconha em todo o mundo.

A companhia desembarca em Manhattan com a intenção de lançar uma mensagem.

"O que estamos tentando dizer é que este é o lugar para esta loja. Que a maconha pertence à cultura convencional", explicou à Agência Efe o responsável de comunicação da MedMen, Daniel Yi.

Segundo Yi, ter uma loja de cannabis em plena Quinta Avenida representa um grande passo adiante, não só para a empresa, mas na "discussão sobre a legalização da maconha".

Desde um ponto de vista puramente comercial, de fato, parece pouco provável que este estabelecimento, situado em uma das áreas mais caras de Nova York, possa gerar lucro a curto prazo.

Ao contrário de outros estados dos EUA, onde o uso recreativo de cannabis é legal, Nova York permite unicamente a utilização para fins medicinais e sob grandes restrições.

Por isso, a MedMen só vende a pacientes com receitas e registrados em um programa estatal e oferece uma quantidade muito limitada de produtos como cápsulas e vaporizadores.

O dispensário é um dos três autorizados a funcionar na ilha de Manhattan sob as atuais normas, embora a companhia já disponha de outros três estabelecimentos em distintas localidades do estado de Nova York.

A cannabis em forma de planta, que continua proibida em Nova York, não está à venda neste espaço, que lembra em seu projeto uma loja de tecnologia e que levou à imprensa local a batizá-la rapidamente como a "Apple Store da erva".

A loja mostra a rápida transformação que a indústria da cannabis está vivendo nos EUA, onde o uso recreativo de maconha é legal em nove estados e no Distrito de Columbia, onde fica localizado Washington, apesar de a substância seguir penalizada em escala federal.

O grande incentivo para o setor ocorreu em 1 de janeiro, quando entrou em vigor a legalização na Califórnia, o estado mais populoso do país.

Segundo algumas estimativas, legalizar a maconha em Nova York pode gerar um negócio de US$ 3 bilhões anuais e receita de US$ 500 milhões em impostos para este estado.

O debate sobre a questão está hoje mais presente do que nunca em Nova York, depois que a candidata a governadora Cynthia Nixon situou a proposta entre as principais de sua campanha para conseguir a candidatura democrata nas próximas eleições.

Cynthia, atriz conhecida por seu papel na série "Sex and the City" e que está reunindo apoios na ala mais progressista do Partido Democrata, procura desbancar nas primárias o atual governador, o também democrata Andrew Cuomo.

Entre seus argumentos para a legalização está a redução da desigualdade racial no sistema de Justiça, dado que a maioria dos detidos por posse de cannabis é formada por afro-americanos e latinos.

"É um fato estatístico que os jovens negros têm muito mais chances de serem detidos por posse de maconha. E isso simplesmente é péssimo", lembra o porta-voz da MadMen.

Segundo insiste Yi, trata-se de um reflexo da "desigualdade racial na sociedade, mas eliminar o estigma da maconha seria, sem dúvida, um passo adiante para começar a melhorar a situação". EFE