Duas cidades bolivianas têm bloqueios de ruas contra o novo presidente eleito

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Grupos de oposição ao presidente eleito da Bolívia, Luis Arce, realizaram neste sábado (31) bloqueios de ruas e avenidas em duas cidades do país, em um manifesto de repúdio aos resultados das eleições de 18 de outubro.

"Temos a informação de que há cerca de 45 pontos de bloqueio, 30 a menos do que ontem (sexta-feira)", disse o vice-ministro de Segurança Interna, Wilson Santamaría, ao fazer um balanço dos incidentes nas cidades de Cochabamba, no centro do país, e Santa Cruz, no leste.

Nessas localidades, que estão entre as mais populosas da Bolívia, marchas e bloqueios ocasionais de ruas foram registrados esta semana.

Os manifestantes usaram pneus, pedras, paus e terra neste sábado para impedir o trânsito de automóveis, enquanto o transporte público optou pelo uso de rotas alternativas para evitá-los.

Os organizadores dos protestos denunciam que o candidato de esquerda Arce, apoiado pelo ex-presidente Evo Morales (2006-2019), venceu a eleição com fraude e exigem sua anulação.

No entanto, o segundo e o terceiro lugares na votação, Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho, respectivamente, reconheceram o vencedor.

O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) também informou que não encontrou irregularidades nas eleições, vencidas por Arce com 55% dos votos.

Os grupos de manifestantes também foram esta semana aos portões de quartéis militares e policiais para pedir que seus integrantes se revoltem contra o futuro governo, mas não tiveram sucesso.

Em Cochabamba, inclusive, os policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo na noite de sexta-feira para dispersar os manifestantes. O chefe de polícia do município, Javier Mendoza, disse neste sábado que estão "esgotando o diálogo" para evitar mais protestos.

Arce, que tomará posse no domingo, 8 de novembro, como presidente por um período de cinco anos, pediu a seus opositores que aceitem o resultado e desistam dos protestos.

O chancelaria do governo cessante confirmou que foram enviados convites a cerca de 150 autoridades, governantes e chefes de estado, mas até agora só foram confirmadas as presenças do presidente do Chile, Sebastián Piñera, e do rei Felipe VI da Espanha.

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