Duas crianças morrem em incêndio na zona sul de SP

MARIANGELA CASTRO
SÃO PAULO, SP, 03.12.2019 – MORTE-SP: Um incêndio em um barraco deixou duas crianças mortas na Vila Mariana ao lado da estação Paraíso do metrô, na zona sul de São Paulo, no início da madrugada desta terça-feira (3). (Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Duas crianças em situação de rua, de 4 e 2 anos, morreram na madrugada desta terça-feira (3) em um incêndio em um barraco no viaduto Santa Generosa, Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O fogo começou por volta da 0h30 e cinco viaturas do Corpo de Bombeiros foram dirigidas até o local. 

O barraco estava montado na avenida Bernardino de Campos, próximo ao metrô Paraíso, e a entrada se dava por meio de um corredor às margens da avenida 23 de Maio. 

Após o fogo ser extinto, os corpos das crianças foram encontrados carbonizados dentro do barraco. Moisés de Jesus Moreira Gomes, 36 anos, e Gisele Cardoso da Silva, 31, pais responsáveis pelas crianças, sofreram queimaduras de 3º grau nas mãos e na face. Ambos foram presos em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e crime de incêndio, segundo a Secretaria de Segurança Pública. 

O casal também foi socorrido pelo Hospital das Clínicas para tratar as queimaduras. De acordo com o HC, os pacientes estão estáveis no pronto-socorro.

Segundo Moisés, na residência havia uma vela usada para iluminar o cômodo, próximo a um galão de álcool, utilizado para cozinhar. Ele afirma que estava com a mãe das crianças do lado de fora da casa quando houve a explosão. 

O caso foi registrado pelo 27º DP, que solicitou a perícia do local. Funcionários da delegacia afirmam que o resultado deve sair em 30 dias.

O funcionário de um bicicletário próximo ao local do incêndio afirma que a mãe das crianças sofria violência doméstica dentro da residência improvisada e que o pai é dependente químico. "A gente sempre ouvia muita gritaria e confusão, inclusive na noite do incêndio. Já chegamos a acionar a prefeitura, mas nada foi feito", diz. 

Ele também afirma que alguns meses atrás o barraco já havia corrido risco de pegar fogo, devido aos "puxadinhos de luz" e às extensões improvisadas de energia elétrica instalada pelos moradores.